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Aracruz Celulose, a besta do apocalipse, cresceu

Ubervalter Coimbra
O cientista Augusto Ruschi foi profético. Pôde prever e anunciar, com décadas de antecedência, que o ar da Grande Vitória seria contaminado por poluentes que a instalação das usinas de pelotização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) produziriam. Hoje são 264 toneladas por dia de venenos lançados sobre as cabeças dos capixabas.

E entre outras previsões, o maior naturalista capixaba também anunciou uma besta do apocalipse que afetaria o campo. Melhor, que o eucalipto transformaria grande parte do que restava da Mata Atlântica capixaba em Deserto Verde. Hoje, o Deserto Verde ocupa uma área de 220 mil hectares - projeção para poucos anos -, ocupando não só o que era Mata Atlântica, como também o melhor das terras para agricultura e pecuária.

A Aracruz Celulose é, no ramo da degradação, uma campeã. Ninguém pode precisar, fora da empresa e possivelmente de um pequeno grupo de servidores públicos, o que a empresa abocanhou do território capixaba. A preço de ferro e fogo, tomando terras de quilombolas, índios e pequenos proprietários. E também de dinheiro, comprando terras, a maioria a preço de bananas através de testas-de-ferro.

Ou de favores a uns poucos funcionários públicos graduados, alguns deles guindados a cargos de secretário de Estado, depois de passar por sua folha de pagamento por serviços prestados. Lá, na própria empresa. Nomes? O biólogo Almir Bressan Júnior, ex-secretário da Seama, e o agrônomo Pedro Burnier, da Seag, são alguns deles. Reles serviçais (melhor seria capachos?) do capital internacional das Coroas Inglesa, Norueguesa e, sul-africano. Dos Böers, claro, pois os negros não têm dinheiro para investigar. Aliás, nem emprego têm.
Bressan e Burnier já têm substitutos à altura: Marcelino Fraga, na Seag; Álvaro Bridi, na direção do Idaf, um órgão estratégico nessa área.

Por processos engendrados nos bastidores do poder, merecedores de investigação pelos fiscais da Lei, a Aracruz Celulose consegui autorização do Poder Público estadual para aumentar o seu plantio. E ao atender o clamar dos ambientalistas, o deputado e ambientalista Nasser Youssef (PPS) propôs que, antes que o plantio autorizado fosse feito, se realizasse o zoneamento agrícola e ambiental do Estado, para saber o que poderia - ou não - ser empregado para produção de mais eucalipto. A Lei 252/01 foi vetada.

Ao se lançar contra o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa, a Aracruz Celulose se deparou com o movimento social altamente organizado. Que atendeu em massa à solicitação de discutir, no Seminário Internacional Sobre Eucalipto e Seus Impactos, as conseqüências de tais plantios.

E lá, a besta do eucalipto foi desnudada. A poluição de sua fábrica, que praticamente vai dobrar a produção, afeta com doenças respiratórias as crianças indígenas. Seus pais já haviam perdido as terras - a empresa tomou 30 mil hectares deles. Os pescadores não podem mais sair para o mar, pois as barras dos rios estão fechadas.

Os agricultores não têm terras para trabalhar. E mesmo que tivesse, não teriam água para irrigar seus plantios. O eucalipto secou muitas de suas nascentes e, até rios. As terras, a escassa água restante e, o ar, estão poluídos pelos agrotóxicos.

A besta anunciada por Augusto Ruschi cresceu desmedidamente. Mas está sendo enfrentada pelos orgulhosos seguidores do cientista. Eles mantêm a sociedade informada, mesmo com a omissão da chamada grande imprensa. Como na denominada Carta de Vitória, que já publicamos e reproduzimos nesta edição. Lá são apontadas as exigência dos capixabas nesta área.

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Conclusões do Seminário viram documento impresso

Os textos das conferências realizadas no Seminário Internacional sobre Eucalipto e seus Impactos serão publicados em impresso, com aproximadamente 20 mil exemplares, segundo assegurou o organizador do encontro, deputado Nasser Youssef (PPS). Ele preside a Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, que promoveu o evento. A forma da publicação será avaliada com o presidente da Casa, José Carlos Gratz (PFL).

O seminário foi realizado de terça-feira (21) à quinta-feira. Entre outros pontos revelou que o Espírito Santo já perdeu 173.934 mil hectares de terras agrícolas para o plantio de eucalipto. E corre risco de chegar, a médio prazo, a 220 mil hectares.

A Aracruz Celulose responde por 88 mil desta área. E a empresa está autorizada pelas secretarias de Estado para Assuntos do Meio Ambiente (Seama) e de Agricultura (Seag) a plantar mais 17 mil hectares em terras que está comprando e outros 30 mil na forma de fomento florestal pelos produtores rurais. Consolidado este plantio a médio prazo a área total será de 220.934 hectares.

Nesta sexta-feira (24) Nasser Youssef avaliou que o seminário foi positivo, pois trouxe para a discussão toda a sociedade, através do Movimento dos Sem Terra (MST), índios, quilombolas, técnicos, cientistas e políticos. "Excluídos ficaram o governo do Estado, que vetou a lei alopradamente, e a Aracruz Celulose. A empresa sequer mandou representante. Logo ela que tenta passar a imagem de que educar para o meio ambiente é atraso", disse o deputado.

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