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Século Diário
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Eucalipto causa impactos sociais
e ambientais desastrosos
| Isaumir Nascimento |
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O seminário do eucalipto está sendo realizado
no Centro de Convenções de Vitória
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Ubervalter Coimbra
O plantio de eucalipto e do pinus em grande escala não reduziu a erosão; a monocultura substituiu a mata nativa e o emprego dos venenos agrícolas contaminou o ar, a terra e o ar. Estes foram alguns dos resultados do plantio destas espécies de crescimento rápido no Chile, segundo o pesquisador daquele país Rodrigo Catalan Labarias, do Fundo Bosque Templado. Ele participou do painel "O eucalipto e a agenda XXI (Biodiversidade, Precaução, Mudanças Climáticas)".
O eucalipto causou ainda enorme impacto social no Chile, tomando terras que antes eram destinadas ao plantio de alimentos por agricultores e indígenas. Alijados de suas fontes de produção no campo, eles só tiveram um caminho: migrar para as cidades, onde não encontram trabalho. O plantio de eucalipto aumentou a concentração de renda: os lucros ficam nas mãos de apenas quatro grupos chilenos e vai para as multinacionais.
Rodrigo Catalan apresentou seu trabalho nesta quarta-feira (22), às 8h, no Seminário Internacional Sobre Eucalipto e Seus Impactos. O encontro foi organizado pelo deputado Nasser Youssef (PPS), presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. Ele será concluído nesta quinta-feira (23) e seus resultados devem embasar os deputados para a manutenção ou derrubada do veto do governador José Ignácio Ferreira à lei que disciplina o plantio de eucalipto no Estado.
Mais de 45% do plantio no Chile foi em terras antes ocupados pela floresta temperada, um rico ecossistema que está sendo destruído. Naquele país o plantio de pinus e eucalipto, em escala comercial começou em 1974, na ditadura do general Augusto Pinhochet. São 2 milhões de hectares de plantio, dos quais o pinus representa 75% e o eucalipto 17%. Essa espécie vem aumentando sua proporção no plantio.
Este plantio em escala permitiu aumentar as exportações chilenas e o setor de celulose responde por 12% do comércio exterior, sendo o terceiro setor exportador. A riqueza que gerada por estes plantios foram primeiro para grupos nacionais chilenos, depois para multinacionais.
Já os custos ambientais e sociais foram assumidos pelas comunidades camponesas e indígenas. A água, o ar, as florestas - plantadas ou não - estão sendo impactadas pelos venenos agrícolas, herbicidas e pesticidas. Os trabalhadores rurais não têm sua mão-de-obra empregada nesta área, pois são substituídos por profissionais treinados para determinadas tarefas. Mas o país passou importar até o trigo.Os municípios que mais têm suas áreas territoriais ocupadas por estes plantios são os mais pobres.
Rodrigo Catalan assinalou que o plantio de eucalipto e pinus no seu país não pode servir de modelo, como querem por exemplo o Peru e o Equador, considerando os custos sociais e ambientais que provoca.
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