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Pesquisa comprova: eucalipto acaba com reservas de água

Ubervalter Coimbra
Pesquisas realizada na África do Sul desde 1936 provam que o eucalipto consome grande quantidade de água, secando nascentes e reduzindo a vazão dos rios. A rede que avalia o impacto das plantações homogêneas de eucalipto e de pinus sobre os recursos hídricos naquele país consiste em mais 70 estações. Estas informações foram apresentadas nesta quinta-feira (23), às 8h, no painel "o eucalipto e a água: verdade ou falácia?", por Harald Witt, da Timberwatch.

As medidas feitas nas estações sul-africanas de pesquisa confirmam denúncia de cientistas e ambientalistas capixabas. Eles afirmam que nascentes, córregos e até rios estão secando nas áreas onde estão plantadas grandes extensões de eucalipto. As plantações são mais densas no norte do Estado e, em alguns povoados cercados de eucalipto, a água só é encontrada em poços com 90 metros de profundidade.

O painel fez parte do Seminário Internacional Sobre Eucalipto e Seus Impactos, que começou no dia 21 e será encerrado nesta quinta-feira. O evento está sendo dirigido pelo deputado Nasser Youssef (PPS), presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa.

As discussões embasarão os deputados na discussão do veto do governador José Ignácio Ferreira (sem partido) à lei que pára o plantio de eucalipto no Espírito Santo até que seja feito o zoneamento agrícola e ecológico do Estado. Existe expectativa de que o veto do governador seja derrubado e que a AL promulgue a lei.

"É verdade. As plantações de árvores comerciais como o pinheiro e o eucalipto impactam fortemente o suprimento da água", assinalou o sul-africano Harald Witt. Isto não se discute mais no seu país, ele disse. O que se procura saber é o tamanho deste impacto. As extremas variações climáticas no país dificultam esta resposta, explicou.

Na África do Sul o plantio do eucalipto substitui grandes plantios de cana de açúcar. Na ocasião da implantação destas florestas as empresas diziam que elas combatiam a erosão, traziam mais chuva, aumentando o impacto hidrológico. Na disso aconteceu e o país discute hoje a imposto para o consumo da água, que ocorre em grande escala por estas plantações.

Este elevado consumo dos 1.600.000 hectares de eucalipto existentes no país afeta os agricultores que se servem dos rios abaixo dos plantios. A situação exigiu que o consumo da água passasse a ser autorizado somente a partir de estudos de impacto ambiental, que são avaliados pelo Departamento Nacional de Água. Os estudos para isto são realizados num prazo que vai de 8 a 15 meses.

O país, cuja democratização começou na década de 90, com o fim do apartheid, tem 40% de desemprego. Os problemas sociais são grandes e crescem com o ingresso do capital internacional, parte da política neoliberal.

Mesmo com as dificuldades, empresas sul africanas estão no mercado mundial, participando de 27% da composição acionária da Aracruz Celulose, por exemplo. A África do Sul atende a 2% do mercado mundial de papel e celulose.

Ao reduzir a quantidade de água nos rios e nos estuários o eucalipto acaba afetando as atividades pesqueiras, importantes do ponto de vista econômico.
Sementes dos plantios comerciais são levadas para áreas de mata nativa, beiras de rios, e já ocupam 15% deste espaço, em áreas maiores do que as plantações de comerciais.

Gera além disto outros problemas sociais no país, pois tomam áreas antes destinadas a agricultura de subsistência. Na África do Sul os plantios comerciais consomem duas vezes mais água do que o plantio de alimentos.

Ainda durante a manhã desta quinta-feira, o cientista Sebastião Pinheiro, da Fundação Juquira Candiru, Brasil, discorreu sobre o "O eucalipto e a desmaterialização da economia". Mostrou como os países de primeiro mundo tomam conta das economias periféricas, determinando políticas nestas regiões, afetando a vida das comunidades e o meio ambiente.

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