Ú L T I M A S    N O T Í C I A S - (21/06 - 18h55)

Delegado violou computador

Gustavo Freitas
"O delegado Sérgio Mello abriu o computador antes de enviá-lo à perícia, violando a prova. Ele mesmo confessou à delegada Arminda (referindo-se a Arminda Rosa Pereira da Silva, que investiga o sumiço do HD na Corregedoria de Polícia Civil)". Foi o que revelou Maria Aparecida Denadai, irmã do advogado assassinado Joaquim Marcelo Denadai. Segundo ela, esse é um dos indícios de que a memória do equipamento da vítima sumiu dentro da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Sua declaração vai de encontro ao depoimento do perito João Rodrigues Baptista, que esteve no escritório do advogado dois dias depois do crime. Ele disse ter estranhado o fato do delegado ter levado para a delegacia (e não ter entregado à perícia, como é de praxe) cinco fitas VHS, sendo que uma delas continha informações sobre a morte da dentista Ana Angélica, 38 fitas cassete, cinco agendas, uma fita que estava dentro do gravador de Denadai, além do computador do advogado.

"Em 10 anos de perícia, foi a primeira vez que materiais a serem periciados foram primeiramente analisados pela autoridade policial para posteriormente chegarem à perícia", afirmou o perito João Rodrigues em seu depoimento à Corregedoria de Polícia.

O computador de Marcelo Denadai permaneceu na sala do delegado até que, 35 dias depois do crime, foi descoberto o desaparecimento do HD (memória) da máquina. Isso motivou uma investigação sumária na Corregedoria. A declaração do delegado de que concluira o inquérito sem incluir os mandantes do crime, levou a família do advogado a pedir,, na reunião do Conselho de Direitos e Defesa da Pessoa Humana (CDDPH), nesta quinta-feira (20), o afastamento do delegado do caso.

A Secretaria de Segurança Pública aceitou a colocação e indicou a delegada Selma Couto para investigar o crime. Para a Maria Aparecida Denadai, a substituição do delegado Sérgio Mello dará maior agilidade à investigação. "A delegada é conhecedora do crime organizado. Como também já foi chefe de polícia, ela tem conhecimento de criminosos, o que não acontece com Sérgio Mello, que morava até pouco tempo no Rio de Janeiro, faltando a ele conhecimento sobre a história do Estado", justificou.

Marcelo Denadai foi assassinado no dia 15 de abril, na frente de sua casa, na Praia da Costa, em Vila Velha. O assassinato aconteceu um dia antes do advogado apresentar uma notícia-crime, elaborada a pedido do tabelião Henry Wyatt, em que eram denunciados os diretores da Marval Comércio e Serviços, Victor Sarlo Wilken Júnior e Cláudio Aurélio Gomes. Os dois, além do genro de Victor Sarlo, o colunista Hélio Dórea, estariam ameaçando o tabelião por este estar cobrando uma suposta dívida de R$ 2 milhões que Cláudio Aurélio teria com ele.






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