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Gustavo Freitas
A Missão Especial Federal (MEF) abriu mais um inquérito para apurar quem foram os mandantes do assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai, morto em 15 de abril. Crime que, até agora, após 90 dias, não foi elucidado nos inquéritos da Polícia Civil, do Ministério Público Estadual e no processo que já correu nas mãos de três juízes da Justiça Estadual. O motivo da execução do advogado também faz parte do inquérito. A chegada do Sub-Procurador Geral da República, José Roberto Santoro, está sendo aguardada. Ele vem coordenar as investigações, junto com os procuradores Raquel Elias Ferreira Dodge, Marcelo Ceará Serra Azul, Henrique Geaquinto Herkenhoff e Ronaldo Meira de Vasconcellos Albo. Santoro realiza, nesta sexta-feira (19), uma reunião com o coordenador da Missão Especial, o delegado José Paulo Rubim Rodrigues, que chegou a Vitória, no início da semana. No encontro, deve estar em pauta as táticas e ações para apurar os assassinatos ainda não totalmente esclarecidos no Espírito Santo e os motivos desses mandantes não estarem presos ou, como em muitos casos, nem constarem como suspeitos. As investigações do assassinato de Denadai serão feitas pela Missão Federal, já que o inquérito da Polícia Civil só apontou o executor do crime, o policial militar Dalberto Antunes, preso no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe. O homicídio do advogado ocorreu na véspera dele entregar uma notícia- crime na Polícia Civil, em que denunciava um esquema de corrupção envolvendo a empresa Marval Comércio e Serviços e a Prefeitura de Vila Velha e outras do Rio de Janeiro. Denadai foi contratado pelo tabelião Henry Dellano Wyatt. O tabelião alegava ter sido ameaçado de morte, após cobrar uma dívida de R$ 2 milhões de Cláudio Aurélio Gomes da Silva, diretor da Marval. Após a cobrança, Henry e Marcelo Denadai relataram terem sido ameaçados por outro diretor da Marval, Victor Sarlo Wilken Júnior e seu sogro, o colunista Hélio Dórea. O assassinato do advogado foi atribuído ao crime organizado e deflagrou o pedido de intervenção federal pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O pedido foi arquivado pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. O engavetamento provocou o pedido de demissão do ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, e de outros funcionários de sua confiança. Para tentar resolver o impasse, o Ministério da Justiça e o presidente Fernando Henrique Cardoso nomearam delegados federais, promotores, 50 agentes e dezenas de patrulheiros rodoviários para montar a Missão Especial. O grupo tem a função de investigar e desmantelar o esquema do crime organizado no Estado.
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