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Caso Denadai: empresário confirma
telefonema para executor do crime

Michelle Rocha

O advogado Flávio Cheim Jorge, que defende o empresário Sebastião Souza Pagotto, confirmou que o empresário conversou por telefone com o soldado Dalberto Antunes da Cunha após o crime. O soldado foi preso dias após o assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai, na Praia da Costa (Vila Velha), acusado de ser um dos executores do homicídio.

Cheim Jorge afirmou que a ligação telefônica menos de uma hora após o assassinato de Marcelo Denadai foi uma "coincidência". O empresário e ex-PM Sebastião Pagotto foi indiciado pela Polícia Federal como mandante do crime.

Cheim disse que procurou o delegado José Pinto Luna, que preside o inquérito, na quinta-feira (5), quando foi informado sobre o indiciamento de Pagotto. Segundo o advogado de defesa do empresário, o delegado Luna teria dito que Pagotto foi indiciado, principalmente, pelo fato de ter conversado pelo telefone com o soldado Dalberto minutos depois do crime.

O advogado Flávio Cheim disse que ainda não teve acesso aos atos do inquérito e negou qualquer ligação do seu cliente com o advogado Marcelo Denadai, assassinado numa emboscada no dia 15 de abril, na Praia da Costa.

Além disso, Cheim alega que o indiciamento de Sebastião Pagotto "é um tremendo equívoco de quem preside as investigações". O advogado disse ainda que Dalberto prestava serviços para Pagotto e a ligação telefônica não indica que o empresário tenha alguma ligação com o crime.

Segundo delegado Luna, um dos motivos que pode ter motivado o crime pode ter sido a investigação feita por Marcelo Denadai nas empresas de Pagotto: a Hidro Brasil e a Líder Desentupidora. O levantamento de Denadai atendia a um cliente, a VA Engenharia, que perdeu a concorrência para a Hidro Brasil para a limpeza de galerias em Vitória. O advogado também municiou de informações o seu irmão, o vereador Antônio Denadai (PTB), na época em que presidia a CPI das Galerias, chamada ainda de CPI da Lama, sobre contratos firmados pela Prefeitura de Vitória.

Antonio Denadai foi afastado posteriormente da presidência da CPI por determinação judicial, ao se descobrir a sua ligação de parentesco com o advogado que defendia uma das empresas perdedoras no processo. Numa das audiências públicas, Marcelo Denadai relatou ter sofrido ameaças de morte dentro do Plenário e afirmou que elas partiram do empresário Sebastião Pagotto.

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