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Caso Denadai encaminhado à Justiça

Diana Fernandes
Luna não descarta a possibilidade de pedir a prisão preventiva de Pagotto
Michelle Rocha

O inquérito sobre a morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai foi encaminhado à Justiça nesta quinta-feira (19). O delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna, que investigou o crime, aponta o empresário e ex-policial militar Sebastião Pagotto como mandante do crime e o soldado da PM, Dalberto Antunes da Cunha e Paulo Jorge Ferreira (conhecido como PJ) como executores. Luna afirmou que deve pedir a prisão preventiva de Pagotto.
O inquérito foi encaminhado para a 3ª Vara Criminal de Vila Velha. O Ministério Público vai analisar e decidir se oferece ou não denúncia contra os envolvidos na morte do advogado.

Segundo Luna, o empresário mostrou resistência em comparecer para prestar esclarecimentos à Polícia Federal sempre que era intimado a depor. "Ele (Pagotto) queria recorrer à Justiça para garantir mandado de segurança". Sebastião Pagotto já foi indiciado por ser o mandante do crime.

O delegado Luna chegou até Sebastião Pagotto devido a depoimentos e denúncias que apontavam a ligação entre os executores e o empresário.
Dalberto e PJ prestavam serviços de segurança para Sebastião Pagotto.

Segundo Luna, o crime foi motivado por causa da investigação feita por Marcelo Denadai nas empresas do empresário: a Hidro Brasil e a Líder Desentupidora. "O Pagotto tinha motivos para assassinar o advogado", ressaltou o delegado Luna.

O levantamento de Denadai atendia a um cliente, a VA Engenharia, que perdeu a concorrência para a Hidro Brasil para a limpeza de galerias em Vitória. O advogado também municiou de informações o seu irmão, o vereador Antônio Denadai (PTB), na época em que presidia a CPI das Galerias, chamada ainda de CPI da Lama, sobre contratos firmados pela Prefeitura de Vitória.

Antonio Denadai foi afastado posteriormente da presidência da CPI por determinação judicial, ao se descobrir a sua ligação de parentesco com o advogado que defendia uma das empresas perdedoras no processo. Numa das audiências públicas, Marcelo Denadai relatou ter sofrido ameaças de morte dentro do Plenário e afirmou que elas partiram do empresário Sebastião Pagotto.

O advogado de defesa do empresário, Flávio Cheim Jorge, alega que o indiciamento de Sebastião Pagotto "é um tremendo equívoco de quem preside as investigações". O advogado disse ainda que Dalberto prestava serviços para Pagotto e que a ligação telefônica, feita para o empresário no dia do crime, não indica que ele tenha alguma ligação com a morte de Marcelo Denadai.

O advogado foi morto no dia 15 de abril, deste ano. No dia seguinte a sua morte, Denadai encaminharia para a Justiça uma queixa crime denunciando o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, envolvidas em fraudes em licitações. Denadai foi assassinado numa emboscada na Praia da Costa, em Vila Velha.

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