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Século Diário
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Decretada a prisão preventiva de Sebastião Pagotto
Michelle Rocha
A prisão preventiva do empresário Sebastião de Souza Pagotto, suspeito de ser o mandante do crime do advogado Joaquim Marcelo Denadai, foi decretada nesta quinta-feira (26). Agentes da Polícia Federal já estão à procura do empresário. A Justiça decretou ainda a prisão preventiva de Paulo Jorge dos Santos Ferreira, suspeito de ser um dos executores. A juíza titular da 3ª Vara Criminal de Vila Velha, Maria Cristina Capanema Ferreira Ribeiro, argumentou que o empresário cometeu delito de grande repercussão e gravidade.
Paulo Jorge, conhecido como PJ, é ex-policial militar e suspeito de ter executado o crime com o soldado da Polícia Militar Dalberto Antunes da Cunha. Segundo a juíza, PJ "trata-se de ex-policial militar, que, embora negando na fase policial seu relacionamento com Sebastião de Souza Pagotto e com Dalberto Antunes da Cunha, as provas existentes contrariam suas afirmações".
Paulo Jorge teve sua prisão temporária decretada por 30 dias, em novembro deste ano, porém só foi preso no dia 3 de dezembro. A Justiça alega que para a aplicação da lei penal, existe necessidade da permanência de PJ na custódia.
A prisão da major Fabrízia Moraes Gomes da Cunha, esposa de Dalberto, e Leandro Scárdua Mageski, suspeito de ter feito o clone do carro usado pelo soldado, não foram decretadas. A juíza considerou o fato da major ter endereço fixo, família constituída e profissão definida. No caso de Leonardo, não há nos autos elementos suficientes que o incrimine.
O crime do advogado Joaquim Marcelo Denadai, morto no dia 15 de abril, numa emboscada na Praia da Costa, em Vila Velha, foi investigado pela missão especial federal, que apura as ações do crime organizado no Espírito Santo.
O responsável pelo inquérito, o delegado José Pinto de Luna, chegou até o empresário através de depoimentos e denúncias que apontavam que o suposto executor, o soldado da PM Dalberto e o ex-PM Paulo Jorge, prestavam serviços de segurança para o empresário.
Segundo o delegado, o que motivou o crime foi a investigação feita por Marcelo Denadai nas empresas do empresário Pagotto: a Hidro Brasil e a Líder Desentupidora.
O levantamento de Denadai atendia a um cliente, a VA Engenharia, que perdeu a concorrência para a Hidro Brasil para a limpeza de galerias em Vitória. O advogado também municiou de informações o seu irmão, o vereador Antônio Denadai (PTB), na época em que presidia a CPI das Galerias, chamada ainda de CPI da Lama, sobre contratos firmados pela Prefeitura de Vitória.
Antonio Denadai foi afastado posteriormente da presidência da CPI por determinação judicial, ao se descobrir a sua ligação de parentesco com o advogado que defendia uma das empresas perdedoras no processo. Numa das audiências públicas, Marcelo Denadai relatou ter sofrido ameaças de morte dentro do Plenário e afirmou que elas partiram do empresário Sebastião Pagotto.
O advogado de defesa do empresário, Flávio Cheim Jorge, afirmou que ainda não teve acesso aos autos. "Vou analisar o processo para saber como vou proceder", ressaltou.
Cheim Jorge acrescentou "que não existem dados concretos sobre a ligação do empresário com o crime. O responsável pelo inquérito errou".
O advogado já havia dito que Dalberto prestava serviços para Pagotto e que a ligação telefônica, feita para o empresário no dia do crime, não indica que ele tenha alguma ligação com a morte de Marcelo Denadai.
O advogado foi morto no dia 15 de abril, deste ano. No dia seguinte a sua morte, Denadai ia encaminhar para a Justiça uma queixa crime denunciando o envolvimento de 12 empresas, algumas administradas por laranjas, envolvidas em fraudes em licitações. Denadai foi assassinado numa emboscada na Praia da Costa, em Vila Velha.
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