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Flávio Vezzoni: "governo foi caloteiro, irresponsável e inconsequente"

Adolfo Oleari é jornalista, letrista e integra o conjunto Lordose prá Leão

Esta coluna é atualizada às quartas-feiras e nos finais de semana
Conforme combinado, aí vai a segunda parte do bate papo com o cantor, compositor e violonista do grupo Moxuara, Flávio Vezzoni. Qualquer dúvida, a primeira parte da conversa está na coluna passada, que pode ser acessada em EDIÇÕES ANTERIORES.

Que tipo de relação pedagógica vocês desenvolvem com as crianças com as quais têm trabalhado? Têm aprendido muito com elas? Como aproveitam o repertório de conhecimentos e experiências das crianças no trabalho que desenvolvem atualmente? Quais os aspectos institucionais do projeto?

Vezzoni - Como essa questão traz várias perguntas ao mesmo tempo, vou respondê-la sob a forma de "ping-pong", ok? Exceto a última, sobre a qual vou me deter mais tempo:

A) Que tipo de relação pedagógica vocês desenvolvem com as crianças com as quais têm trabalhado? A relação essencial à pedagogia: ensino-aprendizagem.
B) Têm aprendido muito com elas? Mais do que ensinado.
C) Como aproveitam o repertório de conhecimentos e experiências das crianças no trabalho que desenvolvem atualmente? O CD Musiculturarte é um exemplo.
D) Quais os aspectos institucionais do projeto? O projeto existe desde 1998 quando começamos a divulgar, nas escolas, no CD Quarto Crescente. Depois de alguma experiências realizadas no município de João Neiva (ES) resolvemos formalizar o projeto dentro das exigências pedagógicas e musicais. Procuramos os pedagogos da Universidade Federal do Espírito Santo, que nos dão assessoria permanente por meio do professor Adalvo da Paixão, além de professores e estudantes, para a discussão sobre o conteúdo teórico e, depois de alguns meses, chegamos ao formato final, tal como é conhecido por todos. No segundo semestre de 2002 começamos uma parceria com a secretaria municipal de Aracruz para a aplicação do projeto Musicalizar (assessorado pela pedagoga Renata R. Weixter), com crianças de 3 a 6 anos de idade, que funcionou e já é sucesso. Na Grande Vitória, o Musiculturarte passou a ser mantido pela Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) quando foi integrado ao Programa de Comunicação Ambiental CST/Escolas.

Como em sua formação o Moxuara tem professores de história e geografia, caberia perguntar sobre o tipo de mundo, de vida e de homem que o grupo acredita estar retratando em suas composições. Há um ideal humanista implícito nelas?

Vezzoni - De geografia, não. A cooperação, a socialização, o poder de se organizar em grupos (as grandes armas da espécie humana) que possibilitaram-nos atravessar eras, sobreviver a inúmeras crises, alcançar as regiões mais longínquas e promover avanços e descobertas fantásticas, depois de tantos séculos de educação(que não se restringe à institucionalizada) foram, aos poucos, sendo substituídos pela competição e pelo individualismo, levando a humanidade a uma crise de identidade e a uma inversão de valores sem precedentes. Nós acreditamos na humanidade e em tudo o que ela guarda originalmente de bom. Por isso acreditamos na vida digna, na igualdade de oportunidades, no fim da "esperteza", da vantagem, do "eu" em detrimento do "nós"; acreditamos na sensibilidade, no carinho, na cordialidade, nas pessoas, na vida. Como dizem os historiadores, todas as gerações do futuro impõem sacrifícios às gerações do presente. Disso depende a existência humana na terra. Que nossa música possa contribuir para um mundo melhor, sem sacrifícios e com muito prazer, por nós e pelos que virão.

Finalizando, o que o Moxuara espera dos governos Lula e Paulo Hartung em relação às políticas públicas para o setor cultural? Que iniciativas consideram prioritárias para a saúde da música popular?

Vezzoni - Essa discussão não é consensual no âmbito do conjunto. Vou emitir aqui minha opinião pessoal, assumindo todas as responsabilidades, todos os ônus e bônus que disso possam advir. Paulo Hartung: temos a obrigação de esperar mais, porque nos últimos 4 anos não houve nada. O último governo representou uma estagnação que, há muito, não me recordo de algo parecido. Não manteve o volume de eventos anterior a ele, não promoveu, não cumpriu contratos, foi caloteiro, irresponsável e inconseqüente (qualquer semelhança com Cariacica é mera coincidência). Aguardamos com expectativa o novo governo. Somos otimistas em relação ao Espírito Santo. Nosso estado não pode manter os olhos fechados por tanto tempo, diante de tantas maravilhas. É bom não esquecer: os municípios têm suas responsabilidades a cumprir. Luis Inácio Lula da Silva: foi eleito por pregar a mudança que todos querem. Podia ter começado pela festa da posse: em vez de mega-shows, que tal liberarem o palco para as manifestações culturais de todo o Brasil, isso é diferente. Lula não é apenas um presidente. É, inconfundivelmente, um líder. Nós não havíamos conhecido nenhum até então. Pelos menos com o nosso sotaque, não. Vamos ver, vamos ver. Estamos confiantes.

Repetindo monstros em ação

Vou dizer tudo de novo: recomendo aos que não têm medo de monstro. Vão rolar por aqui alguns shows de um trio rutilante, formado por Saulo Simonassi (guitarra e vocal), Otávio Ribeiro (baixo e vocal) e Sérgio Melo (bateria) - ele tem larga experiência no mercado nacional, atualmente dividindo seu tempo entre a cantora Ana Carolina e o trabalho com a produção do programa Fama, da Rede Globo.

Segundo Saulinho, a banda é uma reunião de amigos, e no repertório estão registradas algumas das principais canções que os influenciaram: "clássicos de bandas setentistas como 'Killing Yourself To Live', do BLACK SABBATH, 'Maybe I´m a Leo', do DEEP PURPLE e 'Lemon Song', do LED ZEPPELIN, dividem espaço com temas instrumentais e canções de compositores como Duke Ellington, Ray Charles e Eric Clapton. Há ainda algumas composições próprias e um desafio: a banda se propôs a executar a música 'La Villa Strangiato', do trio canadense RUSH".
O trio vai fazer uma pequena temporada no mês de janeiro. Se você gosta de ouvir músicos de verdade tocando, não perca esses encontros. Anote aí na sua agenda a agenda deles.

Agenda (Janeiro/2003):

Dia 04 - BarraAcústico (Praia do Barrão, Barra do Jucu, Vila Velha - o trio fará uma dobradinha com a Banda Urublues)

Dia 09 - Café 33 (Rua Rômulo Samorini, Praia do Canto, Vitória - altura da Ponte Ayrton Senna)

Dias 10 e 11 - Casquinha's Bar e Restaurante (atrás do Hotel Espadarte, Iriri, Anchieta, tel: 3534-1497)

Telefone para contato: (27) 9962-9832 (c/ Saulo Simonassi)

Os contatos com a coluna se fazem por intermédio do rapaz Rodrego: rodregol@bol.com.br



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