esta coluna é atualizada às quintas-feiras e nos finais de semana. Wanda Sily escreve direto de Miami - EUA
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O novo ano chega para nós com pompa e circunstância. Além da "renovação espiritual," das roupas brancas, dos fogos de artifício, das velas e votos, temos um novo governo tomando posse no primeiro dia de 2003. E o novo presidente vai até derramar algumas lágrimas. Já tivemos algum Chefe Supremo tão emotivo?
Um governo dito "popular" assume os comandos da nação, e esperamos que isso signifique realmente "do povo e para o povo." Cansamos das elites, dos doutorados na Sorbone, dos estrados em Harvard. Por isso o povo canta nas ruas o brasileiro é pé no chão e pau-de-arara, comeu feijão com farinha na marmita e viajou em pé no lotação para ganhar o mínimo.
Se perdeu o dedo mindinho em algum torno mal ajustado, azar o dele. Se não fala bonito é porque não pôde ir à escola, desde pequeno teve que trabalhar para ajudar à família. Crianças que trabalham em horário integral no Brasil, sem tempo para estudar não são nenhuma novidade para nós.
No meu tempo de professora primária, no interior de Alegre, as classes ficavam vazias na época das colheitas. A criançada tinha que ir para a "roça" junto com os adultos, pois todos os braços eram necessários na lida da enxada. Escola? "Isso é coisa pra rico, sá dona!"
Dos milhões de iletrados e despreparados que formam a realidade do povo brasileiro, alguns poucos conseguem dar o passo à frente, sair da multidão e conquistar um lugar ao sol.
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