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Século Diário
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Governo Federal garante investigar Aracruz Celulose
Ubervalter Coimbra
O Governo Federal vai apurar as denúncias do uso de milícias pela Aracruz Celulose contra quilombolas, no norte capixaba. Investigará também a formação de um mar de agrotóxicos pela empresa, nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra.
A garantia é do diretor do Departamento de Promoção dos Direitos Humanos (DPDH), Perly Cipriano. O Departamento é da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, ligada ao gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A denúncia ao Governo Federal será feita, no mais tardar, na semana que vem, segundo afirmou o coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Sérgio Conti. As provas reunidas a partir da reportagem da revista Século e por Seculodiario.com serão o ponto de partida da investigação.
Perly Cipriano assegurou que o governo Federal não se omitirá nestes casos. Mas que só se manifestará após serem acionados os órgãos com responsabilidade de promover a investigação.
O problema está afeto ao Ibama, do Ministério do Meio Ambiente, e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), entre outros.
Denúncias em relação a violência contra os quilombolas já foram feitas ao Governo Federal. O diretor da Associação Afro-Cultural Benedito Meia-Légua, Domingos Firmiano dos Santos, se queixou esta semana da falta de providências em relação ao emprego de milícia armada contra os quilombolas que catavam gravetos nos eucaliptais da Aracruz Celulose.
Cinco deles chegaram a ser presos, no final do mês passado. Neste caso os milicianos contaram com a cobertura das Polícias Militar e Civil. Sem providências dos governos Federal e Estadual, a milícia voltou a agir: de arma em punho, apreendeu um caminhão velho com gravetos. O caminhão foi deixado na Delegacia de Polícia de Conceição da Barra.
O Departamento de Promoção dos Direitos Humanos "tem como missão formular e implementar políticas de promoção e garantia dos direitos humanos", informa o governo em seu site.
Caberá então ao DPDH coordenar a investigação sobre a capina química nos eucaliptais da Aracruz Celulose e Bahia Sul no norte do Espírito Santo. Nela, são utilizados cerca de 800 homens. Eles despejam diariamente cerca de 320 litros cada um, perfazendo um total 256 mil litros/dia de venenos agrícolas.
Este batalhão de trabalhadores aplicam, misturados, o Roundup, Tordon 2,4 D, Scout N a (da família do Roundup), e o agrotóxico popularmente chamado de amarelão. Por causa de tantos venenos, estão contaminados todos os córregos numa extensão territorial de 163 mil hectares (abrangendo os municípios de Conceição da Barra e São Mateus), sendo 150 mil dessa área com eucaliptos e apenas 13 mil, aproximadamente, em pequenas propriedades. Nestas propriedades vivem, sitiados, os descendentes de escravos.
Leia também:
MPA denuncia mar de agrotóxicos da Aracruz Celulose a Lula
(matéria publicada em 13/02/2003)
Segurança toma caminhão de quilombola em Conceição da Barra
(matéria publicada em 12/02/2003)
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