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Agrotóxicos da Aracruz Celulose:
"grave problema de saúde publica"


Ubervalter Coimbra

O médico Luiz Henrique Borges, doutor em Ciências da Saúde, afirmou que o emprego de agrotóxicos pela Aracruz Celulose "aponta para um problema grave de saúde pública". Ele se referiu às denúncias que indicam o uso de um coquetel de venenos agrícolas, empregado na capina química do eucalipto, nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

Luiz Henrique Borges é professor-adjunto e chefe do Departamento de Saúde Coletiva na Emescam, e professor-convidado do Departamento de Medicina Social do Centro Biomédico da UFES.

Somente nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus a Aracruz Celulose e Bahia Sul lançam 1.839 toneladas por ano de agrotóxicos. Em cada capina (são duas por ano) são empregadas 600 toneladas de ingredientes ativos (venenos) de glifosato (principio ativo do Roundup N.A. e do Scout N.A.), 304,5 de 2,4-D (do Tordon) e 15,45 de picloran.

Sobre estes produtos e números o médico afirma que "de início, as informações veiculadas pelo Séculodiário.com apontam um problema grave de saúde pública".

Lembra que "a criação de grandes complexos industriais, que envolvem grande volume de capital, tem determinado modificações na estrutura social, econômica e cultural de comunidades anteriormente estáveis, no mundo todo, deteriorando as condições de vida e sobrevida de suas populações.

Além disso, tem trazido um novo padrão de preocupações na área de Saúde dos Trabalhadores, pois, além do impacto do processo produtivo sobre a saúde dos trabalhadores da empresa, concomitantemente ocorre um forte impacto ambiental fora da empresa, degradando as condições físicas ambientais e também as de sobrevida humana, no tocante à saúde das pessoas da comunidade".

"Este é o caso da utilização de substâncias tóxicas no processo de produção e trabalho. Assim, o problema de saúde dos trabalhadores não se restringe mais aos limites da empresa. Apesar de que, no caso relatado, os 'limites' da empresa se espalharam e se infiltraram por toda a comunidade, realmente enclausurando os moradores. Portanto, nesse caso, as ações públicas dirigidas à preservação da saúde dos trabalhadores devem envolver necessariamente as áreas de saúde, trabalho e meio-ambiente", disse.

Luiz Henrique Borges afirma que "a utilização de agrotóxicos para controle de pragas nas culturas agrícolas é controvertida, sendo defendida por aqueles que priorizam os aspectos econômico-produtivos competitivos mais imediatos".

Por esta razão é combatida por muitos, em função: "dos efeitos dos resíduos no meio ambiente (físico e humano); dos possíveis efeitos à saúde dos consumidores, decorrentes da ingestão continuada de produtos "contaminados" por venenos agrotóxicos; e dos efeitos comprovados à saúde dos trabalhadores que manipulam agrotóxicos sem conhecimento do que estão manipulando, sem treinamento, sem a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) e em condições precárias de trabalho".

Ele destaca que "a não utilização de EPIs deve-se à sua não disponibilização pelo empregador ou por recusa de uso pelo trabalhador que, além de desinformado sobre os riscos que corre, deve sujeitar-se a equipamentos desconfortáveis, inadequados para uso sob o sol (roupas plásticas, máscaras, etc.)".

Além disso, a precarização do trabalho decorrente da terceirização de serviços, diminuindo os direitos trabalhistas e aumentando a sujeição dos trabalhadores às condições existentes, costuma trazer outros componentes de organização do trabalho que aumentam o risco de agravos à saúde: trabalho que exige muito esforço (inclusive por carregar equipamentos pesados), ritmos e jornadas excessivas de trabalho com exposição continuada, sem pausas, aumentando o desgaste e a exposição dos trabalhadores".

O pesquisador lembra que "esta situação tem levado à proposição de medidas de controle mais rigorosas da exposição dos trabalhadores aos agrotóxicos, por parte do Ministério do Trabalho (DRT/Delegacia Regional do Trabalho) e do
Ministério da Saúde (Saúde do Trabalhador), mas também ao incentivo à agricultura orgânica, com o controle biológico das pragas.

No Espírito Santo, isso vem ocorrendo principalmente com os produtores de hortaliças nos municípios da região serrana (Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá, etc.)".




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