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Século Diário
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Família de Denadai acusa:
Pagotto não agiu sozinho
Diana Fernandes
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| A família do advogado assassinado não acredita que Pagotto tenha agido sozinho
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José Maria Batista
A família do advogado Joaquim Marcelo Denadai , assassinado em 15 de abril do ano passado, não acredita que o empresário Sebastião de Souza Pagatto tenha agido sozinho na empreitada para contratar a emboscada. De acordo com o vereador Antônio José Denadai (PTB), irmão do advogado, existe um grupo de empresários envolvidos com fraudes em serviços e obras públicas que fez um conluio para planejar e cometer o crime. Ele citou os diretores da Marval Comércio e Serviços Ltda., - envolvida no suborno e corrupção de concorrências nas prefeituras de Belford Roxo e São Gonçalo, no Rio de Janeiro - como mentores intelectuais do assassinato.
Antonio Denadai não descarta o envolvimento de empresários ligados à Associação Capixaba dos Empreiteiros de Obras Públicas do Espírito Santo (Aceopes).
Os problemas para o empresário Sebastião Pagotto começaram quando o advogado Marcelo Denadai foi contratado pela empresa paulista V.A. Engenharia Ltda., para contestar judicialmente o resultado da concorrência para exploração dos serviços de limpeza de fossas e galerias em Vitória, no ano de 2000 e pela quantia de R$ 4,9 milhões. Os valores estavam sujeitos à renovação de igual valor e diversos aditivos com cifras a serem definidas pela secretaria de Obras do município de Vitória.
Na ocasião, segundo levantamento do advogado Marcelo Denadai, além dos erros existentes na Licitação 02-2000 e 131651/95 do município de Vitória, o empresário Sebastião Pagotto estava envolvido com fraudes em licitações e contratos de prestação de serviços a outros municípios há algum tempo. Prova maior desse fato é o Termo de Notificação n º 267/99, referente ao Processo TC-63/99 do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES). Nele, são constatadas operações irregulares realizadas entre a Prefeitura de Cariacica e a empresa Desentupidora Líder Ltda., também de propriedade do empresário Pagotto.
Para o vereador Denadai, que escapou de morrer no mesmo dia, pois também seria silenciado junto com o irmão, conforme gravação de um telefonema dos pistoleiros encarregados do crime. Um deles, o Pedro Paulo Jorge, conhecido como PJ, diz que era inoportuno matar o vereador naquele momento, porque "tudo iria cair em cima da CPI das Galerias". Denadai estava sendo silenciado pelo caso dos R$ 4,9 milhões. Os telefonemas levaram levaram um dos promotores de Vila Velha a desistir do caso, devido ao risco de vida que corria.
As apurações caíram então nas mãos do promotor Luiz Renato dos Santos, que conhecia há muito tempo o advogado Marcelo Denadai. De acordo com o vereador Antonio Denadai, a degravação da fita, na Justiça, esclarece tudo.
Existe ainda uma outra fita em poder da Justiça registrando a tentativa de acerto entre a Aceopes e empreiteira paulista para não se anular o processo de licitação. Na gravação fica claro que em troca haveria uma compensação pelo fato de a empresa paulista V.A. Engenharia ter perdido a concorrência. Mas teria que abandonar o processo contra a Hidrobrasil Saneamento e Limpeza Industrial, controlada por um testa de ferro de Sebastião Pagotto.
No caso da licitação de Vitória, a Hidrobrasil falsificou a sua Certificação Técnica para ganhar a concorrência. O empresário Sebastião Pagotto foi obrigado a constituir uma nova firma, a Hidrobrasil, em substituição à Desentupidora Líder que, junto com a Dedelimpe, constituíam o pool de controle dos serviços de galeria devido às fraudes praticadas em Cariacica, conforme apuração do Tribunal de Contas, através do contrato 021/97 de 22/04/97, no valor de R$ 1.451.976,00, que sofreu vários aditivos.
Entre outras coisas, o TCES constatou liquidações irregulares de R$ 887.088,30 e pagamentos de R$ 100 mil, sem nota fiscal.
A oportunidade para Sebastião Pagatto resolver seus problemas e silenciar o advogado Denadai surgiu quando estourou o escândalo envolvendo a Marval Comércio e Serviços, no Rio de janeiro e em Vila Velha (ES) no caso de corrupção e suborno para a venda de kits escolares. Denadai também estava denunciando o caso e morreu um dia antes de encaminhar a denuncia à Justiça, embora o documentação referente à Marval estivesse em poder de Marcelo há quase um ano.
A Marval liderava um grupo de 13 empresas criadas para adulterar, falsificar concorrências e lesar os cofres públicos, controlando as licitações no Espírito Santo Rio e no Rio de Janeiro. Esquema que foi deixado a nu pelo advogado, que já havia também estourado o esquema de limpeza de fossas e galerias de Sebastião Pagotto. Um negócio milionário que resvala na Aceopes e estava sendo colocado a perder caso ele não fosse silenciado.
Para a família do advogado Denadai, é preciso agora que a missão especial federal e a Justiça prendam também os outros empresários envolvidos com a Marval e outras 13 empresas que dominavam o mercado de concorrências públicas no Estado.
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