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Século Diário
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Caso Denadai: delegado aponta
contradições em depoimentos
Diana Fernandes
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O delegado Luna depôs no lugar das testemunhas, que estão sob proteção da PF
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Michelle Rocha
O delegado federal José Paulo Luna, que presidiu o inquérito sobre o assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai, desmentiu os depoimentos dos dois acusados de executar o crime. Luna afirmou que o depoimento do ex-policial militar Paulo Jorge dos Santos Ferreira, conhecido como PJ e suspeito de ser um dos executores de Denadai, é contraditório ao do policial militar Dalberto Antunes da Cunha, que teria o ajudado a matar Denadai. As declarações de PJ também divergem das prestadas em juízo pelo empresário Sebastião Pagotto, que está preso sob acusação de ser o mandante do homicídio.
O delegado foi uma das quatro testemunhas do sumário de acusação do caso Denadai, ocorrido nesta segunda-feira (19), no Fórum de Vila Velha. Além dele, participaram do sumário de acusação, realizado nesta segunda-feira (17), o agente federal Francisco Carlos Sabino, o chefe da segurança da Câmara de Vereadores de Vitória, coronel Paterline, e Fábio Alves Porto, suspeito de intermediar a clonagem do Gol branco, usado pelos criminosos. Eles foram ouvidos pela juíza Maria Cristina Capanema Ribeiro, titular da 3ª Vara Criminal de Vila Velha. Os depoimentos começaram às 9 horas e terminaram às 20h40.
O delegado José Paulo Luna afirmou que no depoimento do empresário Sebastião Pagotto, ele negou que PJ tenha trabalhado fazendo a segurança da sua empresa, a Hidrobrasil Saneamento e Limpeza Industrial. Segundo o delegado, a afirmação de Pagotto foi desmentida pelo PM Dalberto Antunes, que declarou que ele e PJ faziam a segurança do empresário, tendo, inclusive ido várias vezes à sua fazenda. O advogado Joaquim Marcelo Denadai, 42 anos, foi morto no dia 15 de abril do ano passado, perto de sua casa, na Praia da Costa, em Vila Velha.
Luna disse ainda que, em depoimentos informais, testemunhas confirmaram que ouviram Dalberto e PJ declararem que cometeram o crime. "Eu estou prestando depoimento no lugar dessas pessoas, já que elas não quiseram ser identificadas nos autos por temerem morrer. Não posso dizer quem são, pois assumi esse compromisso", justificou o delegado federal. Como as audiências são abertas, a PF temia que criminosos ligados aos suspeitos de assassinar Denadai identificasse as testemunhas e as matassem posteriormente como queima de arquivo.
Diana Fernandes
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O ex-policial Paulo Jorge, o PJ, e o PM Dalberto Antunes, acusados de matar o advogado Marcelo Denadai, durante o sumário de acusação
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Luna disse ainda à juíza Maria Cristina Capanema que o PM Dalberto, em momento nenhum, confessou o crime. Porém, ele afirmou que nas "entrelinhas", o suposto executor se entregou. "Em um diálogo que eu tive com o Dalberto ele me pediu para deixar a sua mulher (a major Fabrízia Moraes Gomes) fora do caso. Além disso, ele alegou que eu já tinha o empresário Sebastião Pagotto e o Paulo Jorge", alegou.
José Paulo Luna afirmou ainda que Fábio Alves Porto, suspeito de ter intermediado a montagem do clone do carro utilizado no dia do crime, chegou a dizer que sabia da clonagem do veículo, mas declarou não ter conhecimento do crime. O delegado perguntou ao suspeito se ele tinha medo de Dalberto e de Paulo Jorge e ele teria respondido que "medo não, mas pavor".
O delagado lembrou que Fábio teria passado o telefone de Leandro Mageski, na época um dos donos do Ferro Velho Veí Peças e um dos suspeitos de ter montado o clone para a major Fabrízia Moraes, acusada de ter mandado fabricar o álibi para o marido, o PM Dalberto Antunes.
Sobre o atentado no Ferro Velho Veí Peças, estabelecimento localizado em Vila Velha, usado para a montagem do carro clonado e onde uma das testemunhas do inquérito foi assassinada a tiros com seu funcionário, na última quinta-feira (13), Luna respondeu que o sócio que sobreviveu, Luiz Carlos Freitas, chegou a dizer que tinha muito medo de morrer.
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