Vitória (ES), edição de 02 de fevereiro de 2004
 
Delegado acredita que PM se matou



José Maria Batista


Apesar de considerar também a possibilidade de crime, o delegado Cláudio Vitor, do Departamento de Inquéritos Especiais, acredita que o caso do soldado PM Victor Andrés de Azevedo Paiva foi de suicídio. Ele foi encontrado morto por enforcamento dentro de uma cela do quartel da PMES, em Maruípe.

O delegado está aguardando os laudos periciais que estão sendo elaborados pela Polícia Técnica e Científica e que deverão embasar sua afirmação. Ele acha muito difícil e até improvável que o soldado tenha sido morto por alguém que entrou na cela, apesar das suspeitas iniciais provocadas pelo fato de Andrés ter se enforcado com o cadarço de um tênis e numa altura relativamente baixa, cerca de 1,20m.

As investigações ainda se encontram na fase inicial e, no momento, a policia está examinando as imagens feitas na cela onde o PM morreu e que possuía um circuito interno de tevê. A finalidade é tentar identificar todas as pessoas que tiveram acesso à cela nos momentos que antecederan a morte. Mesmo não acreditando em homicídio, o delegado Cláudio Victor está trabalhando com todas as hipóteses, incluindo a indução ao suicídio.

São três dias de gravações que estão sendo analisadas, conforme informou o delegado encarregado do caso. Dias antes da morte, o soldado prestou um longo depoimento à polícia em que teria relatado a participação em mais de 20 assassinatos. De acordo com o delegado Danilo Bahiense, Andrés já apresentava um quadro psicótico complicado e teria chegado a desmontar um aparelho de barba para se ferir.

Ele cumpria prisão temporária na carceragem do Quartel do Comando Geral da PM por determinação da 3ª Vara Criminal da Serra e era considerado também uma das testemunhas-chave no processo de apuração dos crimes de pistolagem no Espírito Santo. O Comando da Polícia Militar havia determinado que o policial ficasse em uma cela sem os pertences. No entanto, a família de Vitor preferiu assinar um termo de compromisso assumindo a responsabilidade por qualquer incidente que pudesse acontecer com o policial.

O PM Vitor Andres foi preso na megaoperação da polícia, chamada de Jericó, que prendeu 16 pessoas na Grande Vitória, em Fundão, Timbuí e Colatina, no dia 23 de dezembro do ano passado. Na operação, foram apreendidas 34 armas de diversos calibres, detidas 18 pessoas, sendo que 16 foram autuadas em flagrante, entre elas oito policiais militares. O trabalho contou com a participação de 80 policiais civis e 40 policiais militares.