As investigações em torno do assassinato do ex-tenente da PMES Paulo Jorge dos Santos Pereira, 47, o Pejota - acusado de matar o advogado Marcelo Denadai -, poderão tomar um novo rumo. Isso porque, passados 57 dias do crime, um novo delegado está assumindo a Delegacia de Homicídios e o inquérito.
Nesta terça-feira (10) o delegado Alexandre Toledo está assumindo o caso em substituição à delegada Tânia Brandão. Pejota foi morto numa segunda-feira - 15 de dezembro - nas imediações do restaurante Mar e Terra, no Cais do Avião, no bairro Santo Antônio.
O ex-militar foi morto pouco mais de 30 dias após ser libertado por força de um habeas-corpus, pois era acusado de ter participado do assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai em 15 de abril de 2002. De acordo com as investigações, Pejota se preparava para sair do interior do Fiat Siena MTK 1532 quando atendeu ao celular.
Nesse momento, dois homens, numa bicicleta, surgiram a começaram a disparar contra ele, que teve mais de 30 perfurações no corpo. Testemunhas afirmaram que os dois homens, suspeitos de serem policiais, fugiram de bicicleta em seguida.
Logo no inicio das investigações, a delegada Tânia Brandão, encarregada do caso, disse que pretendia rastrear as ligações feitas no celular de Pejota e que iria pedir a quebra do sigilo telefônico do aparelho. E que iria depender do exame de balística para dar andamento ao caso. Mas, passados mais de 50 dias, a própria polícia reconhece que as investigações não evoluíram.
As investigações, conforme afirmação de policiais da própria Delegacia de Homicídio, estavam sendo "encaminhadas aos poucos" . E uma licença da delegada no final do mês passado contribuiu para que o caso ficasse mais moroso ainda.
O assassinato de Pejota repercutiu em Brasília e provocou a indignação do senador Magno Malta (PL-ES). Até porque o ex-militar fora citado na CPI nacional do narcotráfico como um dos principais executores do crime organizado no Estado e homem de confiança do coronel Walter Gomes Ferreira, apontado como o braço armado do crime organizado capixaba e que por essa razão se encontra preso em Dourados, no Mato Grosso do Sul.
No seu pronunciamento, o senador culpou a Justiça capixaba pelo crime, porque permitiu que o ex-militar saísse da prisão. De acordo com o senador, o ex-militar morto era um dos arquivos-vivos da máfia capixaba. Lembrou que, quando esteve na presidência da CPI do Narcotráfico, Paulo Jorge foi indiciado pela Comissão, e que não entende "como ele ficou solto 30 dias nas ruas".
"Somos mais uma vez afrontados, temos que conviver com a negligência e aceitar que um assassino com a ficha de Paulo Jorge, morto com 38 tiros, caminhasse nas ruas como um cidadão comum e convivesse com a sociedade. Casos como estes ferem o direito à vida, constituindo entrave ao exercício pleno do direito de defesa constitucionalmente assegurado", exclamou, na ocasião, o senador.
Malta chamou a atenção para que não seja esquecido que "a primeira vítima, o primeiro herói a ser assassinado por denunciar ligações entre autoridades e o crime organizado, foi o advogado Joaquim Marcelo Denadai, do Espírito Santo". E lembrou o quanto a criminalidade cresceu nos últimos tempos. "Não podemos deixar que estes facínoras fiquem impunes. Com esta morte ficou à mostra a negligência do Estado".
Pejota teria assassinado o advogado Denadai a mando do empresário Sebastião Pagotto por causa das denúncias de irregularidades e fraudes na licitação e no contrato para limpeza de fossas e galerias em Vitória, no valor de R$ 4 milhões.
Além de Pejota, foram acusados como executores o policial Dalberto Antunes da Cunha - que ainda está preso -, a major-PM Fabrícia Moraes Gomes da Cunha, mulher de Dalberto, e o comerciante Leandro Scárdua Mageski. Todos, conforme consta dos autos, a mando do empresário Sebastião Pagotto, que acabou sendo preso mas está aguardando o julgamento em liberdade.
Pagotto teria mandado liquidar o advogado porque ele estava municiando o irmão com documentos comprometedores envolvendo o empresário na CPI criada pela Câmara Municipal de Vitória destinada a apurar irregularidades na limpeza de fossas e galerias de Vitória.
Pagotto teria se envolvido também com diversas irregularidades na prefeitura de Cariacica durante a contratação dos serviços de limpeza de fossas e galerias. De acordo com o Tribunal de Contas e farta documentação que se encontrava em poder de Denadai, foram feitos dezenas de pagamentos ilegais ao empresário, alguns dos quais por serviços não executados e outros sem a devida cobertura de nota fiscal.
Posteriormente Sebastião Pagoto foi obrigado a criar uma nova firma de limpeza de galerias, utilizando três laranjas para isso, a fim de poder participar de uma concorrência milionária na prefeitura Vitória. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI ) foi aberta na Câmara Municipal de Vitória para apurar o fato e ficou constatada a existência de falsificações de assinaturas e laudos técnicos durante a licitação.
O advogado Denadai tinha toda essa documentação e municiou seu irmão, o vereador Antônio José Denadai (PL), com elementos para fortalecer a CPI. A família do advogado não tem dúvidas de que por causa desses fatos é que Marcelo Denadai foi morto.
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