É incrível como Aracruz, CST, Vale do Rio Doce e Samarco fazem o Estado tremer diante delas. Nem diante de tragédias como a que ocorreu recentemente na CST, com a morte de quatro trabalhadores na explosão de um convertedor de ferro, os setores públicos responsáveis se posicionam como deviam. Mas sim com negligência e até cautela, que podem ser entendidas como subserviências.
Está na hora das nossas autoridades pedirem desculpas a CST pela tragédia. Ironias à parte, mas essa ironia não pode faltar, pois até numa hora como essa, se constata que o sindicato da categoria dos trabalhadores que morreram, está intimidado em falar. Nessas ocasiões correm do cenário em nome da prudência, aliás, excesso de prudência.
A DRT (Delegacia Regional do Trabalho) fica cheia de dedos e tem a pachola de dizer que vai recorrer ao Ministério do Trabalho, em Brasília.
Ou seja, CST não é para o seu bico.
Todo mundo com medo. Imaginem que até no hospital, para onde foram levadas as vítimas da explosão, tinha na porta um carro da PM para controlar o assédio da imprensa. Fica todo mundo mudo, o que é incrível. E o mais grave: não se apura direito a gravidade do fato e as responsabilidades, pois o resultado do acidente vai aparecer bem mais na frente, quando já tiver caído no esquecimento.
Diante dessas poderosas empresas alienígenas, o Estado se comporta como um capiau diante do doutor. E sobressai o velho complexo do colonizado diante do colonizador. Perdura essa velha convivência de colonizado com colonizador, embora essas empresas sejam uma autêntica sangue-suga: Aqui ganham o dinheiro e gastam em outros centros econômicos.
Além da poluição que acaba com a saúde da população na Grande Vitória, e ainda essa questão fiscal em que desejam receber créditos sobre ICMS que não pagaram, elas querem agora que o Estado conviva também com tragédias, que estão se tornando comum. É poder demais para estrangeiros.
O poeta Paul Valéry já dizia: "o poder sem abuso perde o encanto".
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