República sindical





Caetano Roque da Silva


A coluna desta semana começa com o desejo de que 2004 seja um ano de renovação e avanços para a classe trabalhadora. Vamos entrar no segundo ano de uma república sindicalista.

Espera-se que o movimento sindical aproveite este caminho e se espelhe no que a CUT começou a fazer no final desse ano. A idéia é passar para o trabalhador a sua real condição dentro do mercado de trabalho.

Ele como mola mestra da engrenagem que movimenta a produção, trabalhando na fábrica, consumindo e gerando mais empregos. E que a classe empregadora se conscientize da importância do trabalhador dentro do esquema produtivo e gerador de lucro. Isso deve gerar uma relação empregador-empregado mais justa e de maior qualidade, onde os direitos e deveres de ambos sejam respeitados.

Um passo importante no final do ano para essa melhoria foi a parceria do governo federal com os bancos para inserir o trabalhador no mercado comercial. A possibilidade de pegar empréstimos com juros mais baixos e facilidade de financiamentos possibilitou ao trabalhador consumir e levar a diante o circulo da produção industrial, o que alavanca a economia do País.

Mas é necessário tomar cuidado com as armadilhas dos bancos. A taxa estipulada pelo governo é 1,6% a 2,7%, qualquer cobrança além dessa é abusiva e deve ser combatida.

A busca por um sindicalismo mais engajado vai exigir do sindicalista mais qualificação. É preciso ler muito e tomar conhecimento sobre a categoria que está defendendo e sobre a área de produção da empresa em que trabalha, para poder discutir com o empresário de igual para igual.

No próximo ano é importante trazer para o Espírito Santo a responsabilidade da CUT, pois essa é a única entidade realmente sindical em atuação no País. As outras são partidárias. A presença mais efetiva da CUT vai ser importante para homogeneizar a luta, tornando o sindicato único. Já que as lutas são basicamente as mesmas, o que muda são os ramos de atuação do trabalhador.

A qualificação do sindicalista também exige uma renovação na forma de militância. Aqui no Estado existem sindicatos apenas cartoriais, que atuam apenas na superfície do assunto. Há necessidade de ir para dentro da fábrica, discutir com os empresários e conhecer o dia-a-dia da empresa.

Um bom exemplo dessa renovação é o que acontece na região de São Bernardo, o sindicato do ABC é um modelo para o sindicalismo brasileiro. Lá foram criadas Comissões Sindicais de Empresas, organizações que atuam dentro da empresa, conhecendo as relações diárias entre empregado e empregador.

A comissão mostra bem o que é o sindicalismo naquela região, atuante, presente. Assim é mais fácil o contato com a categoria, podendo levar até ela seu real papel de trabalhador integrado ao mercado. Onde trabalhador é trabalhador e empresa é empresa.

Espera-se que o movimento sindical não repita sua atuação de 2003, que foi um ano ruim para o sindicalismo, com pequenas conquistas. Em vez de buscar o avanço, apresentando propostas de mudança na área trabalhista e lutando pelo que já foi conquistado, estagnou, esperando que as mudanças viessem do governo.