A imprensa local já lhe concedeu o reprisado papel de redentor das finanças estaduais. Mas certamente José Teófilo, secretário da Fazenda, tem do que se vangloriar com a arrumada nas contas públicas.
A coluna não dispõe dos dados do ano passado e o cotejo por período equivalente é um indicador mais seguro. Mas apenas acompanhando a evolução dos últimos cinco meses percebe-se a franca progressão positiva dos números, embora algumas variações dos elementos de contas que não se destrincham somente a partir dos números disponíveis.
Feito II
A arrecadação líquida de novembro, R$ 422.956 mil, representou um crescimento de 11,4% sobre os R$ 379.575 mil recolhidos no mês anterior, outubro. A receita bruta foi de R$ 505.089 em novembro contra R$ 481.984 mil no mês anterior, oferecendo crescimento mais moderado, de 4,7%.
Destacam-se alguns elementos das contas como a queda do valor da folha de pessoal do Executivo, uma redução expressiva de 21% se confronta com os R$ 139.030 mil pagos em novembro com os R$ 175.627 despendidos em outubro.
O serviço da dívida em novembro, de R$ 140 milhões, foi quase estratosférico perto dos R$ 20 milhões pagos em outubro e os valores de investimento também apresentaram expressivo crescimento relativo, de 143%, já que para R$ 5.519 mil alocados naquele mês, em novembro as aplicações subiram para R$ 13.452 mil.
Números
Nas contas do Estado relativas a novembro registrou-se um notável aumento dos repasses ao Fundap, montando a R$ 188.485 mil contra R$ 40.269 no mês anterior. E uma rúbrica que sinaliza o tom da austeridade do governo, as despesas de custeio, assinala expansão de quase dez por cento entre outubro e novembro, quando subiu de R$ 40.121 mil para R$ 44.010 mil.
Visibilidade
Falando em Fundap, finalmente caiu a ficha do sistema. Embora o setor conte com um baita profissional de comunicação, Nilo Martins, mostrava-se bastante recalcitrante a oferecer um mínimo de visibilidade. Um pouco de transparência que desfizesse aquela imagem do "conluio de empresários que vivem maquinando como lesar o Estado", repetidamente invocada por políticos que precipitavam conceitos e julgamentos sem maior embasamento.
A publicação do saldo agregador das aplicações do sistema com a descrição do seu efeito fertilizador de projetos e empreendimentos clareiam as compensações que o sistema oferece ao Estado.
Tamanho
E a coluna revê alguns cálculos para fazer um "meia culpa". Sempre defendeu uma moderação nos benefícios considerando a margem de lucro de vários setores. Havia o entendimento de que conceder 7,2% do valor da importação como incentivo financeiro era muito prodigalidade do governo. Este poderia ser mais comedido e ainda assim o sistema seria competitivo, porque um ganho líquido de cinco pontos percentuais numa transação não é pouca coisa.
Mas refazendo cálculos e considerando a caução dos financiamentos (de 10%) mais o valor de arremate nos leilões, de 15%, chega-se a um resultado líquido de 5,4%. Parece razoável.
Surdez
Estrondoso o silêncio de Peagá a respeito da situação dos conselheiros do Tribunal de Contas.
É o negócio, os espinhos do ofício obrigam a pessoa a se posicionar ainda que isso a desconforte.
E sobre posições, melhor ter alguma errada ou certa que ter nenhuma.
Mercado
João Rodarte. dono da Companhia de Notícias, representada no Estado pelo ex-secretário de Comunicação de Vitória, Luiz Carlos Azedo, põe o dedo numa situação em que vários de seus protagonistas insistem em dar uma de avestruz. A questão das agências de comunicação que transcendem em muito as meras assessorias de imprensa.
As agências de publicidade batalharam licitamente pela regulamentação do mercado. Eventualmente contratavam um jornalista para atender as demandas de comunicação do cliente. Se uma assessoria de imprensa contratar um publicitário para cuidar da demanda publicitária do seu cliente certamente isso será compreendido de forma diferente. O interesse corporativo, então, potencializava um choque de interesses na área. Aí surge a agência de comunicação como uma instância mais abrangente do processo. Não colide nem exclui a publicidade, mas lida essencialmente com aspectos institucionais, com o lobby e implementação de planos estratégicos. Daí Rodarte diz que o assessor de comunicação reporta-se ao presidente da empresa; a agência publicitária ao seu departamento de marketing.
Assim, se as assessorias de imprensa ousarem galgar patamares de atuação, passa da hora de se adaptarem ao novo modelo e buscar de cara afirmação institucional, criando uma associação capixaba das agências de comunicação.
Ou todo jornalista que não estiver num veículo vai ficar por aí achando que plantar notinha é fazer assessoria de imprensa?
Efeito
Quem de fato ganhou com a Reforma Tributária? Alguém aí pode responder? A idéia era, digamos, racionalizar a carga tributária nos seus efeitos inibidores da produção, agravadores do custo Brasil e complicadores da vida empresarial pelas exigências de controles burocráticas.
Virou briga de prefeitos e governadores com o Congresso.
Agora, sai da pauta a reforma da legislação trabalhista. Claro que se torna extremamente inoportuna numa temporada pré-eleitoral.
Enquanto isso, o empresário segue pagando 130% sobre o valor do salário do empregado a quem precisa oferecer o emprego.
Sinal
Bastante sintomático, na solenidade de lançamento do Invest-ES (argh) Peagá não ter franqueado a palavra ao presidente da Findes, Fernando Vaz, enquanto o empresário Lucas Isoton falava pelo empresariado local.
Está em disputa a presidência da Findes. Já tendo atuado em processos sucessórios anteriores, Isoton agora postula o cargo. Vaz meneia e ensaia uma tentativa de reeleição presumivelmente abortável se não se mudar o jogo de forças atuais que envolvem esse processo. Peagá tem franca preferência por Isoton.
Mas no jogo empresarial, freqüentemente se reproduz a cultura fisiológica e clientelista que polui a cena pública brasileira. Certamente vai rolar muita pressão e aceno de benesses, principalmente convites para viagens internacionais que podem impressionar os mais "suscetíveis".
Anualmente o Sebrae envia uma comitiva de empresários à Feira de Hannover, no mês de abril. É uma moeda de troca efetiva. É só ficar de olho no critério dos convites para identificar a manobra.
Esforço
Peagá tem prestigiado, sempre que pode, as manifestações ou intervenções de empresários que integram o movimento Espírito Santo em Ação, emergido do vácuo das representações empresariais locais. Ele busca, senão induzir, fortalecer o rearranjo institucional, apoiando a ocupação das entidades que articulam segmentos da sociedade por personalidades que se ajustam ao novo momento inaugurado por seu governo.
Assim o fez na eleição da Assembléia Legislativa, com o movimento Espírito Santo em Ação, também na sucessão da OAB, onde não palpitou, mas torceu, e agora, na sucessão da Findes.
Delenda Cartago
Logo, logo, vai sobrar para a Federação do Comércio e o feudo instalado há anos no complexo Sesc-Senac.
O que é curioso é o PIB capixaba ser predominantemente do setor terciário e até aqui não haver uma representação à altura.
Nomes
O conselheiro Mário Moreira é historicamente ligado ao ex-governador Max Mauro.
Sua inclusão no rol de conselheiros flagrados em transações escusas surpreendeu duas pessoas no Estado.
Deus e o mundo.
Quem o conhece adverte para o risco da descontextualização das palavras que podem adquirir outro significado, como no caso das transcrições das gravações.
A verdade é que nos últimos tempos a Justiça foi atropelada no afã de se justiçar pessoas notoriamente vinculadas a irregularidades, embora a falta das chamadas evidências formais. Evocou-se a questão do "clamor público", uma figura jurídica, ou no senso comum a expiação pelo conjunto da obra. Tal qual Al Capone, na Chicago dos anos 30, sendo preso por sonegar o IR embora lhe pesasse nas costas mais de uma centena de homicídios.
Bem, no caso de Moreira é lícito evocar-lhe a biografia.
Indicação
A coluna vota para prêmio Nobel da Economia Capixaba nos responsáveis pelo lucro prodigioso do Banestes este ano.
Perto deles José Teófilo é aprendiz de guarda-livros.
Valores
Grandes feitos e obras não necessariamente envolvem materialidade ou benefícios tangíveis. Recompor a imagem do governo é de fato a maior obra de Peagá. Restabelecer a autoridade para além dos ritos e mis-em-scenes de costume, abrir perspectivas, inflar esperanças é uma proeza admirável.
Mas bacana mesmo é ver esse senso se estender ao banimento de pequenas práticas aviltantes na relação do governo com os fornecedores. A história da revisão de contratos com fornecedores que reduziram gastos em até R$ 30 milhões é emblemática. Aí outro grande serviço: eliminar o pérfido câmbio que se instalou nas moedas de troca do setor público e privado a partir de uma paridade indecorosa onde um real do governo vale apenas vinte centavos. O sobrepreço é habitualmente "justificado" por embutir os juros dos atrasos dos pagamentos.
Folga
A coluna dá um tempo até meados de janeiro quando estará de volta buscando oferecer considerações sobre uma pauta capixaba. Até lá.
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