"Em política, é preciso curar os males,
nunca vingá-los" (Napoleão III - 1808 - 1873)
E bonita! Ela é jovem, destemida e combativa. Tem 39 anos e um discurso forte, direto que, por vezes, beira a ousadia. A imagem que passa é a de uma mulher corajosa. Desassombrada, mesmo! Que não se deixa intimidar por pessoas ou circunstâncias. Filiada ao PL - Partido Liberal, abriga um sonho especial para realizar neste 2004. Quer estrear na política capixaba. E parece não deixar 'por menos': a pretensão é conquistar a prefeitura de Cariacica. Claro, desde que seu nome venha a ser referendado para a disputa na convenção do partido. Procuradora efetiva de Cariacica, Maria Aparecida De Nadai está convencida de ser a melhor opção para os eleitores do município, no próximo pleito. Por quê? Bem, segundo afirma, por conhecer muitíssimo bem a realidade de Cariacica e até mesmo as mazelas e 'politicagens' ali praticadas que remontam a administrações anteriores. Some-se a isso o fato de se acreditar uma competente administradora. E não exclui, para alcançar seu objetivo, até mesmo razões de gênero, isto é, o tradicional masculino e feminino: "Cariacica está precisando urgente de uma 'mãe'; chega de 'maus padrastos', diz ela, desenvolta.
Maria Aparecida De Nadai nasceu no Vale do Rio Doce, na cidade de Resplendor-MG, em 12 de outubro de 1964. "Dia da Criança", faz questão de lembrar. É a quarta filha do casal Antônio De Nadai e Rosinha Antônia Tom. Antes dela, vieram Antônio, hoje vereador em Vitória; Joaquim Marcelo, jornalista e advogado, assassinado em abril de 2002, mais conhecido como Marcelo Denadai; Maria Augusta e, finalmente, a caçula Sílvia. Aos 28 anos, Aparecida já descasada, transferiu-se para Vitória, em companhia das filhas Bruna, hoje com 13 anos, e Denise, atualmente, com 9. É advogada, tendo se dedicado à advocacia cível e, mais tarde, passado também a atuar na área criminal. Mais: sente especial predileção pela parte acusatória. Daí haver funcionado como assistente de acusação em diversos processos polêmicos que tramitam na Justiça capixaba. Como, por exemplo, os casos Cherotto, Carlos Batista, Feu Rosa e Cláudia Rodrigues.
Para conhecermos melhor essa futura estreante na política capixaba, falando já como possível pré-candidata à prefeitura de Cariacica, o repórter José Maria Batista, o fotógrafo Carlito Medeiros e eu fomos encontrá-la em uma tarde chuvosa, no edifício Arábica, onde possui um confortável e bem equipado escritório de advocacia, localizado no 10º andar. Esta entrevista foi realizada, em conjunto, por ambos os repórteres de Século Diário:
Século: - Quem é a dra. Maria Aparecida De Nadai?
Foto: Carlito Medeiros
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Aparecida: - Uma pessoa comum, uma pessoa que vive dramas, alegrias, tem problemas, busca soluções. Eu acho que tudo aquilo que o cidadão comum faz, hoje, eu faço.
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Fale, por favor, um pouco sobre sua trajetória na área da advocacia.
- Bem, eu me formei em 1987 e comecei a exercer minha atividade profissional seis anos mais tarde. Não foi de imediato, visto que havia me casado, tive minhas filhas, Bruna e Denise. Mas, uma vez iniciada minha carreira, nunca mais parei.
- Suas meninas, hoje, como vivem?
- Na verdade, eu procuro manter minhas filhas fora dessa tensão diária em que se transformou minha vida. Dentro do possível, a vida delas é totalmente normal.
- Até o dia 15 de abril de 2002, a senhora tinha um tipo de vida. Com o assassinato de seu irmão, Marcelo Denadai, o que mudou?
- Na verdade, eu sempre exerci minha atividade de advogada mais na área cível do que na criminal. Mas não nego que sempre senti uma atração muito grande pela área criminal. Hoje, eu até identifico esse interesse como uma preparação de Deus para minha vida. Trabalhei um tempo muito grande com meu irmão, Marcelo Denadai. Ele sempre atuava na defesa. E eu, ao contrário, sentia uma atração inexplicável pela acusação. Sem saber identificar exatamente o porquê... Todas às vezes que o Marcelo estava na defesa, eu estava funcionando do outro lado, isto é, na acusação. Foram inúmeras as situações assim por nós dois vividas. Então, trabalhei muito ao lado do Ministério Público, atuando como 'assistente de acusação' e jamais na defesa dos réus. Em razão disso, acabei desenvolvendo um relacionamento estreito com muitas das famílias das vítimas. E ouvia relatos de mães, de irmãos, de pessoas que viveram dramas de morte violenta de familiares e sentia aquilo na pele, como se fosse uma espécie de preparação para o que eu iria viver no futuro. Porque tudo aquilo que vivenciei com aquelas pessoas de uma forma indireta eu iria posteriormente vivenciar de forma direta.
- Visto que a senhora afirmou que sente fascínio pela função acusatória, por que não prestou concurso para o Ministério Público?
- Na verdade, foi por pura falta de oportunidade... Eu sempre tive uma banca de advocacia relativamente rentável e, até há bem pouco tempo, o salário de promotor não era atrativo. A despeito de, nos últimos dois anos, ter chegado a um bom patamar. Aliás, para ser franca, estou até revendo os meus valores... Quem sabe, não irá valer a pena prestar um concurso para o Ministério Público?! (risos)
Foto: Carlito Medeiros
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- Doutora, como foi o assassinato do seu irmão? Por favor, nos relate...
- Deus estabelece um caminho para cada pessoa trilhar. Eu creio que há certas coisas que Deus escreve e não há como escapar... No meu caso, Deus escreveu que eu deveria passar por essa situação, vivê-la da forma que estou vivendo, e Deus sempre me fez no seio da minha família de uma maneira diferente. Eu nunca fui uma pessoa muito tranqüila. Sou inquieta. Nunca fui uma pessoa muito mansa - a despeito de também não ser assim tão brava! - mas a verdade é que eu nunca fugi de uma briga. Mas também não as busco. Por isso é que acredito que Deus me preparou para tudo isso. Porque, se você me perguntar o que me motiva, eu não saberia responder... eu não tenho medo, não... Talvez, quem sabe, eu provavelmente até o sinta, só que até o momento ainda não identifiquei esse sentimento claro em mim. Não encontrei até os dias presentes situações que me fizessem recuar por medo. Até gostaria de ter esse equilíbrio, porque em várias situações vividas, quando pessoas ao meu redor afirmaram estar com medo, eu não senti, não experimentei essa sensação.
-A senhora poderia, por favor, fazer um conciso retrospecto sobre o crime praticado contra seu irmão, ou seja, uma síntese dos fatos para situar melhor o leitor?
- Bom, meu irmão, Marcelo Denadai, um ano antes de ser morto estava orientando a CPI das Galerias que se desenrolava na Câmara Municipal de Vitória. E, então, passou a municiar os vereadores com documentos, com vários elementos, que iriam comprovar fraude em uma licitação de Vitória. Em razão disso, um dos envolvidos, o empresário Sebastião Pagotto, contratou o Dalberto e o P.J., que o assassinaram, justamente, em razão dessas denúncias que estavam sendo feitas, motivado pela vingança e até mesmo para manter uma situação de fraude que já existia na prefeitura de Vitória, acobertada. Na verdade, a morte dele se deu em razão desses fatos.