Uma guerra explodiu na Europa em 1939, arrasando a metade do mundo, porque um louco cismou que a raça ariana era superior e que os judeus deveriam ser extirpados do planeta. E não apenas os judeus, negros e homossexuais idem.
Loucos abundam por aí, bem sabemos, e quando conseguem abocanhar uma fatia de poder, o mundo vira um lugar perigoso para todos. E nem preciso citar exemplos, pois muitos deles ainda estão espalhando ódio e destruição até onde suas garras alcancem. E quanto mais longas as garras, mais destróem.
Não satisfeito com tanta intolerância, um professor da Universidade de Aarhus, em Copenhague, especializado em pesquisas sobre a inteligência humana, anda pregando que é hora de deixar o 'politicamente correto' de lado e começar a selecionar nossa próxima geração, para melhorar a espécie humana.
Baseado na premissa de que inteligência é hereditária, o professor se diz preocupado com o crescente número de crianças que nascem com problemas mentais. Antigamente essas crianças morriam cedo, sem condições de sobreviver. Hoje, porém, os avanços da medicina permitem que vivam e procriem, criando uma geração mais fraca e menos apta.
Além disto, os pais mais pobres e menos inteligentes são os que têm mais filhos, que provavelmente serão também pobres e menos inteligentes. Esses pais não têm condições de garantir-lhes educação e assistência médica. O professor acha que o governo deveria encorajar os casais inteligentes a ter mais filhos e pagar aos intelectualmente inferiores para não tê-los.
A teoria do dinamarquês agride os princípios morais e os direitos do cidadão. A medicina genética tem meios de estudar o feto, selecionando os mais bem dotados em termos de inteligência e eliminando os mais fracos. Mas quem pode definir quem é mais ou menos inteligente?
Houve grandes benfeitores da humanidade que vieram de lares pobres, enquanto muitos criminosos vieram de famílias ricas. Basta lembrar que Jack, o estripador londrino, supõe-se ter pertencido à família real inglesa. Muitas vezes mais inteligência significa apenas mais acesso à educação, que seria um direito de todos.
O professor vem quebrar um tabu de sessenta anos, revivendo os tempos de Hitler e seu sonho maluco da raça ariana pura. Esperemos que ninguém lhe dê ouvidos, e que essa teoria seletiva feneça nos tubos de ensaio. De outra forma a humanidade, ao invés de evoluir no novo milênio, está, na verdade, regredindo.
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