Vitória (ES), edição de 13 de janeiro de 2004
 
Polícia pede mais prazo para
apurar morte de executor de Denadai



José Maria Batista


A Polícia Civil vai pedir um novo prazo para concluir as investigações em torno do assassinato do ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Pereira, o "Pêjota", acusado de ser um dos executores do advogado Joaquim Marcelo Denadai (foto), liquidado a tiros em 15 de abril do ano passado. O crime completa um mês nesta quinta-feira (15)

As investigações estão avançadas e a polícia informou que já possui indicativos para chegar até os assassinos do ex-tenente. "Pêjota" foi morto quando se encontrava nas imediações do Restaurante Mar e Terra, no Cais do Avião, no bairro Santo Antônio, por dois homens armados com pistolas automáticas, calibre nove milímetros.

O ex-militar recebeu mais de 30 tiros e seus executores fugiram de bicicleta. A policia investiga a possibilidade do crime ter sido praticado por dois militares. E trabalha com a hipótese de queima-de-arquivo. "Pêjota" teria sido atraído para o local para ser assassinado.

A delegada Tânia Brandão, encarregada das investigações, está ouvindo todos os envolvidos com as ligações feitas através do celular do ex-PM e aguarda diversos exames periciais solicitados. Entre eles, o que está sendo feito nas armas apreendidas durante a operação policial de combate aos crimes de mando e de pistolagem em dezembro último e que resultou na prisão de oito policiais militares e apreensão de diversas armas.

O resultado da balística das armas apreendidas ainda não foi concluído. De acordo com as informações da Delegacia de Homicídios, os feriados de Natal e de Ano Novo atrasaram as investigações. Razão pela qual a delegada, que se encontra de licença médica devendo retornar às atividades nesta quarta-feira (14), deverá pedir um novo prazo para conclusão das investigações.

"Pêjota" foi morto 45 dias após deixar a prisão devido a um habeas-corpus que lhe permitiria aguardar em liberdade o julgamento pelo assassinato do advogado Marcelo Denadai.

Ele é acusado junto com o policial Dalberto Antunes da Cunha, a major da PM Fabrícia Moraes Gomes da Cunha, mulher de Dalberto, e o comerciante Leandro Scárdua Mageski de terem tramado e executado a morte do advogado a mando do empresário Sebastião Pagotto, que acabou sendo preso, mas está aguardando o julgamento em liberdade.

Pagotto teria mandado liquidar o advogado porque ele estava municiando o irmão com documentos comprometedores envolvendo o empresário na CPI criada pela Câmara Municipal Vitória, destinada a apurar irregularidades na limpeza de fossas e galerias de Vitória. Ele teria se envolvido também com diversas irregularidades na Prefeitura Municipal de Cariacica durante a contratação dos serviços de limpeza de fossas e galerias.

De acordo com o Tribunal de Contas e farta documentação que se encontrava em poder de Denadai, foram feitos dezenas de pagamentos ilegais ao empresário, alguns dos quais por serviços não executados e outros sem a devida cobertura de nota fiscal.

Posteriormente, Sebastião Pagotto foi obrigado a criar uma nova firma de limpeza de galerias, utilizando três laranjas para isso, afim de poder participar de um concorrência milionária na prefeitura de Vitória.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aberta na Câmara Municipal de Vitória para apurar o fato e ficou constatada a existência de falsificações de assinaturas e laudos técnicos durante a licitação.

O advogado Denadai tinha toda essa documentação e municiou seu irmão, o vereador Antônio José Denadai (PL), com elementos para fortalecer a CPI. A família do advogado não tem dúvidas que por causa desses fatos Marcelo Denadai foi morto.