Chamado a repercutir matéria de "A Gazeta" sobre os pré-candidatos à prefeitura de Vila Velha, o prefeito Max Filho - que concorrerá à reeleição - fugiu à pauta do jornal e ao próprio dever. Disse que o debate era inoportuno e que os pré-candidatos deveriam estar correndo atrás de recursos para ajudar os flagelados da cheia no município.
Quem deveria estar correndo atrás de recursos era ele, que foi eleito para isso. Mas não: foi pedir socorro ao governador, por não ter trânsito junto ao governo federal e também entre dirigentes do PT nacional. Suas relações políticas são com o PT capixaba, que sempre se opôs à liderança do presidente Lula no partido.
Agora, imaginem os leitores a cena: nove pré-candidatos à prefeitura de Vila Velha pegando um avião em Goiabeiras, desembarcando em Brasília e, chegando ao palácio do Planalto, procurando o presidente da República por recomendação do prefeito da cidade. "Presidente - diriam eles em coro - , estamos aqui para lhe pedir recursos para as vítimas da cheia em Vila Velha. O prefeito nos pediu isso".
Seria cômico se não fosse trágico. Ora, ao ser eleito para dirigir os destinos de uma cidade, o prefeito tem o dever de se movimentar em favor da população que, por maioria, o colocou no poder.
E tem mais: o debate pré-eleitoral nada tem de inoportuno. Faz parte do jogo democrático. Esta é a hora de os interessados se articularem para viabilizar suas candidaturas. Ninguém está em campanha ainda. O que os pré-candidatos estão fazendo é buscando apoios e articulações partidárias. Daqui a pouco serão realizadas as convenções e quem não agiu a tempo vai ficar olhando a banda passar.
Mas Max Filho é do "Bem" e por isso ganha espaço na mídia, mesmo quando fala bobagens e abobrinhas como esta. Candidato à reeleição, Max está perdendo força eleitoral, esta é que é a verdade. A cheia inundou sua popularidade.
Primeiro, porque ficou demonstrado que ele não tomou as providências que se faziam necessárias para prevenir os terríveis efeitos da cheia que flagelou a população, como a limpeza das galerias de esgotos e escoamento de águas pluviais, e a dragagem de rios e córregos, que transbordaram, alagando ruas e invadindo casas.
Max, durante o temporal, não deu sinal de vida no socorro às vítimas. Toda a mídia registrou, em fatos e fotos chocantes, que as próprias vitimas se ajudaram mutuamente. Mutirões se formaram para abrir valões e com isso fazer escoar as águas.
Vizinhos mais afortunados abrigaram vizinhos que ficaram sem teto. Quem tinha comida, dividiu com quem não tinha.
Tudo isso mostra que o inoportuno da história é o prefeito Max Filho. Ele não quer que o debate sobre sua sucessão se realize, porque está em baixa. Alguém já viu ou ouviu Luiz Paulo ou mesmo Sérgio Vidigal reclamando do lançamento de pré-candidatos a prefeito de suas cidades?
Não, eles até vêm estimulando esse debate. É um debate livre, democrático e oportuníssimo. Por isso, impõe-se o registro de que quem tem de correr atrás de recursos para socorrer os flagelados de Vila Velha é ele, Max Filho, e não os candidatos à sua sucessão.
|