Vitória (ES), edição de 01 de março de 2004
 
Camata quer Calheiros na presidência
para tomar o PMDB de Marcelino



Rogério Medeiros


O senador Gerson Camata adiou a sua saída do PMDB na expectativa de que o seu colega, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ganhe a presidência do partido e remova o deputado Maarcelino Fraga da presidência do partido no Estado. O senador só deixará o partido no caso de Calheiros perder para o deputado e atual presidente, Michel Temer.

As dificuldades da saída do Camata do PMDB até agora estão exatamente nas suas estreitas ligações com lideranças nacionais do partido, como o presidente do Senado, José Sarney. Esse tem sido realmente o grande obstáculo, pois, se não existisse essa estreita relação dele com lideranças nacionais, ele já teria ido para o PP, que lhe oferece a liderança no Senado.

Embora haja essa relação sentimental do senador capixaba com líderes nacionais, há também um imenso entrave dentro do diretório nacional, que entregou ao senador e à sua mulher, Rita Camata, o PMDB no Estado, e eles levaram dois anos e não fizeram a reformulação desejada por eles e ainda lançaram um candidato laranja ao governo do Estado para ajudar na vitória do governador Paulo Hartung.

O diretório nacional está ciente também do desprestígio do senador junto à base do partido no Estado, onde ele é acusado de ter entregue nas eleições o partido ao governador Paulo Hartung sem exigir qualquer compensação política. Hoje o partido no Estado não quer mais voltar às mãos do senador, mostrando-se satisfeito com o desempenho do deputado federal Marcelino Fraga à frente do partido.

Asseguram que Marcelino é mais partidário e vem dando uma direção certa ao partido, criando mecanismos de unidade. Entre tais mecanismos se acha a decisão de submeter a escolha dos candidatos à direção regional do partido. Outro ponto de satisfação com Marcelino é a independência em que ele colocou o partido com relação ao governo do Estado.