Duas mil e quatrocentas mulheres de baixa renda dos municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica participam, a partir desta quinta-feira (4), de um trabalho que visa a detectar o câncer de mama - o que mais mata mulheres em todo o mundo - ainda em fase inicial, para aumentar as possibilidades de cura.
A iniciativa objetiva inverter o atual quadro que a doença apresenta em pacientes de baixo poder aquisitivo no Estado, que não tendo acesso aos serviços de saúde, procuram os médicos, em 70% dos casos, já em estágio avançado da doença.
"As mulheres pobres correm risco muito maior de morrer por causa da doença, já que a chance de cura depende do diagnóstico precoce. Nos casos em que descobrimos o tumor com até dois centímetros, a probabilidade de cura chega a 98%. Para as pessoas que só começam o tratamento numa fase tardia, o índice de sobrevida cai para cerca de 50%", destacou Roberto Lima, coordenador do projeto, diretor do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon), e chefe do Departamento de Oncologia do Hospital Santa Rita.
O projeto é chamado de "Prevenção e Tratamento do Câncer de Mama", e tem duração de oito meses. Começa nesta quinta-feira (4), na Unidade de Saúde Nilza Dantas, em Campo Verde, Cariacica, com uma palestra para cem mulheres. Ao todo serão realizadas 20 palestras, que irão orientar sobre a importância do auto-exame das mamas e da adoção de hábitos saudáveis.
É desenvolvido pela Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc), e resultado de convênio assinado nesta quarta-feira (2), entre o Hospital Santa Rita, o Instituto Avon e as prefeituras dos municípios envolvidos. Para ser operacionalizado, serão aplicados R$ 77.180,50.
No Espírito Santo, somente em 2003, foram detectados cerca de 660 novos casos. O Hospital Santa Rita recebe em média 500 pacientes com o problema por ano, dos quais 70% apresentam a doença em estágio avançado. O índice de mortalidade é de aproximadamente 30%. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a incidência de câncer de mama no Estado é de 40,44 casos para cada 100 mil mulheres.
Nos casos de diagnóstico de câncer, as pacientes receberão tratamento sem qualquer custo, abrangendo desde a quimioterapia e radioterapia até cirurgia, que serão feitas no próprio Santa Rita.
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