Vitória (ES), edição de 09 de março de 2004
 
Primeiro dia de greve da PF tem
adesão total da categoria no ES



Priscilla Coelho



No primeiro dia de greve da Polícia Federal, toda a categoria do Estado cruzou os braços, exigindo do governo federal a atualização da tabela de vencimentos. Com a manifestação, os agentes, escrivães e papiloscopistas cancelaram suas atividades por tempo indeterminado.

Estão suspensos não só no Espírito Santo, mas em todo o País, a emissão de passaportes e operações em portos e aeroportos. Os policiais federais do Estado estão mantendo a segurança de políticos e testemunhas de crimes ameaçados de morte.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo (Sinpef), Paulo Roberto Poloni Barreto, a guarda dos presos pode ser feita pelos delegados e peritos. Isto porque eles não aderiram à greve, já que recebem de acordo com a tabela de nível superior.

A reivindicação da categoria é com base na lei 9.266/96, que determina o pagamento dos salários dos policiais federais de acordo com o grau de escolaridade dos mesmos, exigida nos concursos públicos. Ou seja, a categoria precisa ter nível superior para ingressar na carreira, mas recebe de acordo com a tabela de segundo grau.

Em resposta à greve, o Ministério da Justiça informou que precisaria ter um repasse do Tesouro de R$ 600 milhões para atender à reivindicação dos policiais federais, já que o salário seria elevado de R$ 4,2 mil para R$ 7,8 mil.

"Isto foi mais uma manobra do governo numa tentativa de manipular a opinião pública em relação ao que pleiteamos porque existem várias tabelas no poder executivo, mas nenhuma proposta foi apresentada nas reuniões com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Por que agora, depois da greve, é que o governo disse isto?", questiona Poloni.

Os policiais federais pleiteiam também melhores condições de trabalho e a realização de um concurso público para a criação de 1,5 mil vagas no setor administrativo. Isto porque, segundo o presidente do sindicato, "70% do efetivo estão em desvio de função".

Nesta terça-feira (9) os 250 policiais se concentram na Superintendência da Polícia Federal do Estado, em Vila Velha. Todos estão usando um colete amarelo fazendo referência à greve. Faixas e cartazes também simbolizam a paralisação. Nos municípios do interior, a situação foi a mesma.

O diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, já editou uma portaria determinando às superintendências regionais que garantam o acesso ao local de trabalho dos servidores que não aderirem ao movimento e pessoas que procurem a PF, recorrendo para isso às policiais estaduais. A portaria determina também o controle rigoroso da assinatura de ponto para que sejam descontados os dias parados.

Os fiscais federais agropecuários também vão entrar em greve por tempo indeterminado em todo o país a partir da próxima segunda-feira (15). Eles reivindicam melhoria salarial para a categoria. No Estado, os 65 fiscais que estão na ativa vão aderir ao movimento.