No primeiro dia de greve da Polícia Federal, toda a categoria do Estado cruzou os braços, exigindo do governo federal a atualização da tabela de vencimentos. Com a manifestação, os agentes, escrivães e papiloscopistas cancelaram suas atividades por tempo indeterminado.
Estão suspensos não só no Espírito Santo, mas em todo o País, a emissão de passaportes e operações em portos e aeroportos. Os policiais federais do Estado estão mantendo a segurança de políticos e testemunhas de crimes ameaçados de morte.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo (Sinpef), Paulo Roberto Poloni Barreto, a guarda dos presos pode ser feita pelos delegados e peritos. Isto porque eles não aderiram à greve, já que recebem de acordo com a tabela de nível superior.
A reivindicação da categoria é com base na lei 9.266/96, que determina o pagamento dos salários dos policiais federais de acordo com o grau de escolaridade dos mesmos, exigida nos concursos públicos. Ou seja, a categoria precisa ter nível superior para ingressar na carreira, mas recebe de acordo com a tabela de segundo grau.
Em resposta à greve, o Ministério da Justiça informou que precisaria ter um repasse do Tesouro de R$ 600 milhões para atender à reivindicação dos policiais federais, já que o salário seria elevado de R$ 4,2 mil para R$ 7,8 mil.
"Isto foi mais uma manobra do governo numa tentativa de manipular a opinião pública em relação ao que pleiteamos porque existem várias tabelas no poder executivo, mas nenhuma proposta foi apresentada nas reuniões com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Por que agora, depois da greve, é que o governo disse isto?", questiona Poloni.
Os policiais federais pleiteiam também melhores condições de trabalho e a realização de um concurso público para a criação de 1,5 mil vagas no setor administrativo. Isto porque, segundo o presidente do sindicato, "70% do efetivo estão em desvio de função".
Nesta terça-feira (9) os 250 policiais se concentram na Superintendência da Polícia Federal do Estado, em Vila Velha. Todos estão usando um colete amarelo fazendo referência à greve. Faixas e cartazes também simbolizam a paralisação. Nos municípios do interior, a situação foi a mesma.
O diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, já editou uma portaria determinando às superintendências regionais que garantam o acesso ao local de trabalho dos servidores que não aderirem ao movimento e pessoas que procurem a PF, recorrendo para isso às policiais estaduais. A portaria determina também o controle rigoroso da assinatura de ponto para que sejam descontados os dias parados.
Os fiscais federais agropecuários também vão entrar em greve por tempo indeterminado em todo o país a partir da próxima segunda-feira (15). Eles reivindicam melhoria salarial para a categoria. No Estado, os 65 fiscais que estão na ativa vão aderir ao movimento.
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