Sempre os mesmos





Caetano Roque da Silva


No meu tempo a gente corria atrás de uma assembléia eleitoral para derrubar os pelegos. Era nessas assembléias que se mobilizava a categoria para formação de chapas. Mas agora é diferente (deixando de lado o Sindicato dos Rodoviários, em regime de eleição), essas assembléias eleitorais estão inteiramente esvaziadas.

Daí, meu caro leitor, o povo se reelege à vontade. Quando o trabalhador se dá conta, a situação no sindicato já elegeu quem ele quis. Que saudade dos pelegos! Pois nos pelegos a gente batia à vontade. Mas agora é diferente. É a chamada gente boa que está fazendo o que os pelegos faziam nas eleições. Até quórum eles mudam para cada vez votar menos trabalhador.

Como o desemprego é grande, os patrões estão serrando de cima, o sindicato deixa de ser atrativo para o trabalhador. Como o andor é de barro, o sindicato fica desguarnecido para o embate com patronato, vai remediando dentro desse quadro de desemprego e cedendo a cada ano. Daqui a pouco a categoria não tem mais nenhuma conquista. Mas os seus sindicatos vão ficar nas mãos das mesmas pessoas.

O possível, no caso, como não podia deixar de ser, é ferro no trabalhador. Estou dizendo isso na esperança de que a CUT, na qual confio plenamente - sou da sua fundação - corrija isso nos sindicatos da sua base, voltando com a mobilização dos trabalhadores para vencer obstáculos e incentivar as disputas pelos sindicatos, que, como disse inicialmente, passam pela assembléia eleitoral e não pelos tribunais, como comumente recorrem os próprios dirigentes sindicais.

Falar em tribunal, agora mesmo (estou falando na terça-feira, dia 9) o celebre Alemão, que tanta desgraça levou para a sua categoria, os rodoviários, está recorrendo à Justiça para impedir a assembléia eleitoral que vai deflagrar o processo da classe. Tratando-se dos rodoviários, vou repetir aqui o que disse na coluna anterior: se o rodoviário está com o juízo perfeito, faça a terceira via e mande Alemão junto com o Mazoni para o espaço.