Cabeças de chave





Rogério Medeiros


O senador Magno Malta, do PL, foi à tribuna do Senado, nesta terça-feira (9), para defender-se das acusações que surgiram após propor a criação da CPI dos Bingos. Atribuiu a origem das acusações ao palácio Anchieta, colocando-se imediatamente no centro de uma disputa política com o governador do Estado: vai estar disputando o governo contra ele ou contra quem ele indicar.

Ao mencionar o governador no seu discurso, o senador detonou com a convivência pacífica que até então existiu entre ele e o governo, indo para o campo da realidade política: há, a partir de agora, duas cabeças de chave política no Estado - uma é ele e a outra o governador Paulo Hartung. Isso significa entender a criação de mais ancoradouros políticos.

Até então só existia o ancoradouro do governador Paulo Hartung, e os demais tinham que aguardar na fila para atracar. Agora com outro, com a característica ainda mais oposicionista, vai facilitar a vida de muita gente, que não tinha como se aproximar do porto do governador e também para os que não desejavam atracar no porto do governador e se mantinham ao largo.

O senador deu a pista no seu discurso de tudo isso. No momento, ele vai se dedicar a limpar a sua ficha política, atingida por acusação da moda, que é a de ter ligações com o crime organizado, que soa como uma verdadeira heresia. Magno foi pioneiro no combate ao crime organizado, tanto que, ao sair na imprensa as acusações contra ele, os principais procuradores que denunciaram o crime organizado lhe prestaram solidariedade: Ronaldo Albo e Roberto Santoro.

O fato de criar esse novo ancoradouro político foi saudado por outras forças. O presidente regional do PMDB, deputado Marcelino Fraga, foi um deles. Sobre as acusações que pesam contra o senador e com probabilidade de descartá-lo, ou inviabilizá-lo, o presidente do PMDB não acredita. Ao contrário, diz que ao propor a CPI dos Bingos o senador representou um desejo popular. Algo, segundo ele, que estava no desejo de todos os brasileiros. Previu que Magno será, com sua CPI, a figura principal das eleições municipais.


Fragmentos
1 - O PMDB deve lançar o empresário Wanderley Ceolin como o seu candidato a prefeito de Linhares. É uma costura que está sendo feita pelo prefeito Guerino Zanon, interessado em combater com eficácia a candidatura do deputado federal José Carlos Elias, do PTB. Wanderley é um empresário de prestígio em Linhares.

2 - Ainda notícia sobre o PMDB: em Colatina, onde ele apóia Rossana Fraga, do PL, que vem a ser a mulher do presidente regional do PMDB, Marcelino Fraga, a eleição para a prefeitura não deve passar de uma disputa entre Rossana e o atual prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi, do PSB.

3 - Em torno de Rossana devem formar, com o seu PL , o PDT, o PP e o PFL. Em torno de Guerino, o seu PSB, mais o PT, o PSDB e o PPS. De fora ficou o PTN, que pode compor com um dos dois ou lançar a terceira via. Mas a probabilidade de candidato do PTN não é alta. Tudo indica que pode acabar mesmo na disputa entre Rossana e Guerino.