Vitória (ES), edição de 15 de março de 2004
 
Polícia se surpreende com anúncio
da prisão de suspeito de matar Pejota



José Maria Batista



O anúncio da prisão de um suspeito do assassinato do ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, no sul do Estado, caiu como uma bomba na Divisão de Homicídios, que investiga o caso. Até porque o inquérito policial está paralisado na Justiça desde o ultimo dia 2 de fevereiro.

Surpreso, o delegado Alexandre Toledo, da Delegacia de Homicídios e Proteção á Pessoa (DHPP) de Vitória, titular do inquérito, disse desconhecer qualquer fato a respeito. De acordo com o delegado, desde o dia 2 de março a sua antecessora, delegada Tânia Brandão, encaminhou o inquérito sobre o assassinato de Pejota para a Justiça pedindo novo prazo.

O inquérito até hoje não retornou e na Central de Inquérito não havia informações sobre ele, que teria sido encaminhado diretamente para a Vara de Homicídios, que também desconhece o fato. Na verdade, conforme explicou o delegado Toledo, ele sequer chegou a ter o inquérito em mãos. Designado para substituir a delegada Tânia, ele recebeu mais de 300 inquéritos de homicídios em andamento.

Mas entre eles não constava o destinado a apurar a morte do ex-tenente Pejota. "Não cheguei nem a colocar as mãos nesse inquérito", desabafa o delegado de Homicídios.

Toledo chegou a aventar a possibilidade de que o inquérito tivesse sido avocado por uma autoridade superior para que o delegado especial cuidasse do caso. Mas a delegada Selma Couto, chefe de Polícia, negou tudo. Garantiu que ninguém além dele poderia ter avocado o inquérito e que ele não fez isso.

"Pode ser que o judiciário tenha avocado para si o inquérito", admitiu ela, que se mostrou também surpresa com a informação da prisão de um suspeito de matar o ex-tenente no sul do Estado. "Se o inquérito está na Justiça, como pode estar acontecendo prisão de suspeito do assassinato de 'Pejota"?, quis saber a chefe de Polícia.

Também surpreso ficou o delegado Danilo Bahiense, titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que se encontrava fora da Capital em trabalho de investigação que não pode revelar. Segundo ele, o inquérito se encontra na Justiça e será preciso apurar como foi que se chegou até um suspeito de matar Pejota. E por que ele não foi encaminhado diretamente para autoridade policial encarregada de apurar o caso.

O ex-tenente Paulo Jorge dos Santos Ferreira, o Pejota, foi morto em 15 de dezembro, dias depois de ter conseguido um hábeas corpus que o livrou da prisão preventiva sob acusação de participar do assassinato do advogado Joaquim Marcelo Denadai. Pejota é acusado também de participar do assassinato do comerciante João Luiz, liquidado a tiros no interior de seu bar na Praia do Suá.

Ele foi morto no bairro Santo Antonio quando ia atender um telefonema celular no interior do Fiat de sua propriedade. Foram disparados mais de 30 tiros, calibre 9mm, por dois elementos que fugiram um uma bicicleta,segundo testemunhas.

A informação da prisão de um suspeito da morte foi divulgada pelo Serviço Reservado do 9º Batalhão da Polícia Militar de Cachoeiro de Itapemirim. O coronel Oladyr, chefe do Serviço Reservado da PM, não foi localizado e não retornou as ligações para falar sobre o assunto.