Comdema: posição firme sobre a CST





Ubervalter Coimbra


Uma decisão, das mais importantes, foi tomada pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) de Vitória em relação à Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST): a empresa terá que reduzir a poluição que suas duas fábricas provocam sobre a Grande Vitória, para ter a licença para suas novas indústrias.

Foram dez votos pela exigência, contra quatro.

A CST quer passar sua produção de placas e bobinas de aço de 5 milhões de toneladas por ano para 7,5 milhões de toneladas anuais, como diz.

Na defesa de seu projeto, a CST bem que tentou fugir da responsabilidade de instalar equipamentos que reduzam a poluição dos equipamentos antigos. A empresa sempre argumenta que tem licença ambiental que a exime, temporariamente, da instalação destes equipamentos, principalmente de dessulfuração, das suas duas primeiras fábricas. Uma delas construída há 20 anos. Jamais revela que conseguiu um favor do governo estadual, no início da década passada, que absurdamente foi mantido.

A CST também jamais revela os danos que seus poluentes causam aos moradores da Grande Vitória, e ao Meio Ambiente.

Mas os conselheiros ambientais de Vitória, por ampla maioria, cumpriram sua obrigação. Por eles, a empresa só licencia os novos projetos, sem antigos débitos ambientais.

Ocorre que a postura destes conselheiros, em que pese sua extraordinária importância, terá que ser acompanhada em duas instâncias. A primeira delas, no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), órgão a quem cabe a responsabilidade da emissão da licença. Responsabilidade que está dividindo com as prefeituras de Vitória, Serra e Vila Velha.

A outra instância é o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). Também neste órgão, como ocorreu no Comdema, é esperada uma postura clara de defesa dos interesses das pessoas e do Meio Ambiente. Que se traduzirá pela determinação de que a CST pague sua conta antiga e, ainda, que explique como destinará os derivados de sua planta de dessulfuração que a nova unidade traz acoplada. Uma falha apontada nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) do novo projeto.

É preciso que se faça a cobrança pois, diferentemente do que diz a CST, a poluição do ar na região vai aumentar com os novos projetos. Em alguns pontos o aumento da poluição do ar será superior a 20%.

Que os membros do Consema cumpram o seu dever em relação à CST.

Os moradores da Grande Vitória agradecerão por respirar um ar menos poluído.