O crime do juiz precisa de culpados




Um ano depois de barbaramente assassinado, é de se temer que não se chegue a um bom resultado na apuração da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. Fora o açodamento do secretário de Segurança, Rodney Rocha Miranda - à primeira hora, indicando o coronel Ferreira como mandante -, os três delegados, que passaram pelo inquérito, não acharam os culpados de mando.

A acusação do secretário acabou ficando realmente inconsistente, além de deixar a impressão que colocar mais crime no coronel Ferreira é relativamente fácil, pelo rosário de crimes que já lhe são atribuídos. É ainda um tanto necessário dizer que, se o secretário tinha provas do envolvimento do coronel Ferreira, por que ela não apareceu, com a devida clareza, nos trabalho dos quatro delegados?

Há outro ponto a ser questionado: a afoiteza do secretário, de qualquer maneira, deixou vulnerável qualquer que seja o resultado do inquérito que apura a morte do juiz. Pois se não vier com o selo do coronel Ferreira, vai se custar a acreditar. Afinal, quem disse que era o coronel Ferreira, foi o secretário Rodney de cima de uma credibilidade conquistada no combate ao crime organizado.

Se ficar então constatado que a morte do juiz foi latrocínio, ninguém vai acreditar. Jamais. Vira ônus para o governo.

O que não pode é que de ano em ano se lembre do caso do juiz, se fale sobre ele, fale sobre os suspeitos, mas a sociedade mesmo, não vê ninguém punido. Há vários crimes, como esse, que mexeram com a emoção do povo no Espírito Santo, sem os seus devidos autores punidos. Desses que todos os anos, quando aniversaria, a imprensa fala dele, exige justiça, mas o tempo, a conduta da apuração, deixou o crime impune.

Roga-se que não venha a acontecer com morte desse jovem corajoso e brilhante juiz Alexandre Martins de Castro Filho.