O projeto Corredor Ecológico da Mata Atlântica está tendo sua forma de execução e aplicação de recursos questionada por alguns especialistas da área. Os pontos vão desde a existência do mesmo apenas no papel, até a sua não função ecológica, sem ações concretas.
Entre os questionamentos estão a limitação de espaço territorial para animais de maior porte, como os mamíferos, e o fato de o projeto sugerir o ligamento de fragmentos mortos, quando na verdade deveria ter como ação inicial a recuperação das matas ciliares, para manter vivos os ecossistemas.
"No Espírito Santo, temos 4% de remanescentes florestais, sendo 1% de floresta natural e 3% de floresta secundária, caracterizados por fragmentos mortos. O projeto, ao sugerir o link desses ecossistemas, pode ser considerado, no mínimo, uma burrice ecológica", ressaltou o engenheiro florestal Renato de Jesus.
Para ele, o programa deveria, inicialmente, focalizar trabalhos de recuperação das matas ciliares e de reserva legal, para depois pensar na formação do Corredor Ecológico. Da mesma maneira, Renato considera que o projeto pode ter resultado apenas com aves, "já que a idéia do Corredor gera limite de fuga ecológica estressante para os mamíferos".
Outro ponto apresentado pelo engenheiro se refere ao conflito com agricultores, que terão suas terras produtivas atravessadas pelo Corredor, sendo automaticamente obrigados a entrar na predação, "ou seja, no papel, o projeto é maravilhoso, mas já escuto falar dele há 14 anos e nunca vi resultados reais", destacou, acrescentando: "É ótimo para gastar dinheiro com consultoria".
Coordenador rebate acusações
O coordenador do projeto no Estado e também engenheiro florestal, Marcelo Mores, avalia as críticas como algo comum, por se tratar de um projeto extenso e inédito para o setor de meio ambiente do Espírito Santo. E associa os questionamentos à falta de acompanhamento e até mesmo de informações sobre as etapas que estão sendo desenvolvidas.
"O projeto está proporcionando ao Estado obter dados nunca conhecidos, que vão auxiliar na elaboração de programas de recuperação da biodiversidade e espécies capixabas. Além disso, está reunindo informações inéditas, como o plano de manejo da região de Pedra Azul, da Cachoeira da Fumaça, de Forno Grande e Itaúnas, por exemplo, indispensáveis para o planejamento de ações regionais de conservação da política de meio ambiente", rebateu.
Marcelo lembrou ainda que todas essas informações, inclusive colocadas no Plano de Gestão, serão disponibilizadas em cds, para distribuição e orientação nos municípios, sendo de extrema importância para atualização da cobertura florestal capixaba. E que esse trabalho, se existe, é graças aos consultores.
E destacou: "Esse descrédito pode ser ocasionado em decorrência do projeto existir há muitos anos, mas que devido a questões burocráticas, somente agora está sendo executado. E que a fase inicial é exatamente estar levando informações do Corredor aos municípios, formando lideranças comunitárias, para que sejam conhecidas as necessidades de cada localidade, e depois, lançar editais, para que o Corredor financie programas ambientais".
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O Corredor Ecológico da Mata Atlântica é oficialmente chamado de Corredor Central da Mata Atlântica. Cobre 85 mil quilômetros quadrados, dos quais boa parte do Espírito Santo, além de todo o sul da Bahia. Sua implantação exigirá U$S 13 milhões, nos próximos cinco anos. Estes recursos são doados pelo Bird, geridos no país pelo Ministério de Meio Ambiente (MMA), e serão divididos, meio a meio, entre os dois estados envolvidos. Tem comitês estaduais e cobre cerca de 50 municípios do Espírito Santo, sendo que na Bahia, se aproxima de Salvador.
No Estado, o comitê é presidido pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e conta com sete ONGs e igual número de membros indicados pelo poder público.
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