Vitória (ES), edição de 22 de julho de 2008
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
Tintas derretidas



Leonardo ViSo

  
Foto: Divulgação
  

No final da década de 70, Nelma Pezzin era ainda uma estudante de Artes da Ufes. Se hoje Vitória não tem uma quantidade ideal de espaços de exposição, há trinta anos era pior. A abertura de uma galeria de arte dentro da universidade foi festejada. O novo espaço era a Galeria de Arte Espaço Universitário (Geau). E foi lá que Nelma expôs pela primeira vez. Trinta anos depois ela volta ao mesmo espaço com a exposição Paraíso Perdido.

Se a primeira exposição lhe rendeu um prêmio num Salão Nacional de Desenho, a de agora desde já lhe trás lembranças e questionamentos. Junto com a exposição, Nelma também lança um catálogo de obras suas. "Enquanto eu estava montando o catálogo, percebi na coincidência de voltar 30 anos depois a essa galeria", conta a artista.

Paraíso Perdido é composta por 16 trabalhos - 10 desenhos e 6 telas. "As obras trazem questões recorrentes em meus trabalhos. A relação do material está ligada com as questões do próprio trabalho, com a pintura e sua importância nos dias de hoje", explica Nelma. A artista acaba questionando se em meio a tantos avanços a pintura estaria fadada à morte. "Abordo também o paradoxo e os contrários. O movimento de entrar e sair. Questões existenciais. O paradoxo da existência. Fazer arte e viver. É um trabalho muito plural", define. Nelma não descarta a possibilidade de outras interpretações de seus desenhos e pinturas. "Não existe uma só verdade, um só olhar".

Além das questões geradas com as pinturas e desenhos, o modo e a técnica de produção ganham uma importância ainda maior nos trabalhos de Nelma. Para os desenhos, ela usa tinta nanquim sobre folhas de papel arroz e as pinturas são em vinílica e encáustica. "A vinílica é uma tinta à base de água que uso antes da encáustica. É uma espécie de tinta base, já que eu mesma fabrico as minhas tintas. Já a pintura encáustica é à base de cera de abelha e é usada quente", detalha a artista.

  
Foto: Divulgação
  
O ato de fabricar suas próprias tintas é resultado de muitas pesquisas realizadas por Nelma. "Os trabalhos são grandes e só se conseguem comprar tinta óleo ou acrílica. A primeira demorar muito a secar e tem a questão cheiro, e a segunda seca muito rápido e tem um brilho que eu não gosto. Na encáustica, eu vou esquentando o fogareiro e derretendo a tinta para pintar. Eu também misturo o fosco com o brilho usando um pigmento como o grafite", revela.

Um recorte
Junto com a abertura de Paraíso Perdido, Nelma Pezzin lança um catálogo com obras suas a partir de 1990. "Não são todas as minhas obras que estão nesse catálogo. Trabalho de 1978 e não daria para colocar tudo. Tentei pegar um pouco da minha fase de 90 para cá", fala.

Na hora de selecionar as obras, a artista preferiu obras que marcaram mais e deu preferência aos desenhos e pinturas. Mesmo assim, não foi um trabalho fácil. "Esse catálogo é mais um recorte da minha carreira, não chega a ser um panorama. Foi um trabalho dificílimo fazer esse recorte por conta do tempo para montar o catálogo. Tive que deixar o afeto de lado e pegar as obras mais relevantes", diz. Para a artista a principal justificativa era a importância da publicação do catálogo. Daqui trinta anos achar esse paraíso perdido será um pouco mais fácil.

Serviço
A exposição Nelma Pezzin - Pinturas e Desenhos está na Galeria de Arte Espaço Universitário (Geau), na Ufes, até 30 de agosto. Visitas de segunda a sexta, das 8h às 18h. Avenida Fernando Ferrari, 514, campus de Goiabeiras, Vitória. Entrada franca.


 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico