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O até breve da colunista

Esta semana despeço-me dos leitores de Bichos do ES, que durante meses mantiveram esta coluna como uma das mais visitadas deste www.seculodiario.com e campeã em e-mail. Estou ocupando outro posto que absorve quase todo o meu tempo. Sinto chegada a hora, preocupo-me com a qualidade. Por algum tempo acreditei poder conciliar todas as atividades. Mas não está sendo possível. Meu muito obrigada pela fidelidade. Agradeço principalmente aos jovens e professores que a acessam como fonte de pesquisa. Até breve.


Educação ambiental
Maguari
(Aldea cocoi   - Iiger, 1815)

O colosso dentre as garças


Fotos Mônica Lorch

Quem não se lembra do jingle  "maguari, maguari é um suco?" Pois maguari é o nome da maior de nossas garças. Uma ave fabulosa, que mede 1,25 cm de altura por 1,80 cm de envergadura. É muito maior que a chamada rainha das garças do Velho Mundo (Alda cinerea). Esta, às vezes, curiosamente, aparece em território nacional e mede entre 90 e 98cm - é a famosa cegonha dos bebês. É o maguari o colosso dentre as garças.

Esta ave possui no pescoço tendões semelhantes a elásticos, que lhe permitem esticar e retrair o pescoço rapidamente. Suas pernas são muito longas e sua cauda é curta. O comportamento é solitário e discreto. Alimenta-se de insetos, crustáceos, moluscos e peixes. Portanto, é completamente equivocada a crença de que as garças aniquilam a população de peixes. Os trópicos oferecem tantos outros recursos alimentares, que a principal dieta deste grupo são os insetos, vejam só!

É quase certo que o maguari já encontra-se exterminado no ES. Há quem ateste que de vez em quando ele dá as caras em Itúnas. Sua ocorrência original era nas Américas do Sul e Central. No Brasil ainda existem significativas populações no pantanal e na foz de rios amazônicos.

As várias espécies de garças paludosas nacionais nidificam em conjunto, em locais conhecidos como ninhais. Este comportamento diminui as chances isoladas de predação, criando um fornecimento extra de matéria orgânica e sais que nutrem principalmente a base da cadeia alimentar.


É migratória, percorre distâncias continentais ainda não muito bem estudadas. Nidifica em alagados, foz de rios, lagunas e lagoas, desde que com pouca interferência humana. Anda de forma cuidadosa e desconfiada. Parece querer confundir o seu maior predador, o jacaré. Olhem um aí à espreita:

Nas duas primeiras décadas do século XX, a espécie foi muito caçada para a retirada de plumas para adornar chapéus e bolsas femininas. Para se obter um quilo de plumas desta espécie era necessário abater 250 aves adultas. Imaginem só o genocídio praticado por uma razão tão mesquinha: a vaidade da espécie que se autoqualifica de racional e inteligente.

Dedico esta coluna a toda a equipe da redação deste Seculodiario, da qual hoje me despeço pela força de um novo e irrecusável rumo que a vida, de forma recompensadora, ora me oferece. Aqui aprendi muito e ri em demasia. Se bem que o riso nunca pode ser considerado demasiado. Posto que é ele a expressão humana mais esperada, a mais aguardada e a mais invejada.

No riso encontramos o remédio de doenças físicas e psicológicas. É ele apaziguador e recompensador. Há quem acredite ser o riso uma característica unicamente de nossa espécie. Mas eu não acredito nisto, não. Porque sei que os bichos também riem, à sua maneira: abanando o rabinho, vocalizando, movimentando as orelhas, correndo em zigue-zague, deixando a língua dependurada e os olhos brilhantes e especulativos. Meu Deus, como eu os amo!

Ah! Tenho certeza de que eles riem, sim. E para vocês, meus amigos da Redação, envio todas as formas de expressões do riso animal. Bem, exceto o abano do rabinho.





(*) Penha Emerick é consultora ambiental da revista SÉCULO

Os interessados em outros detalhes sobre os animais aqui retratados podem escrever para www.seculodiario.com, aos cuidados de Penha Emerick.

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