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CPI é a primeira investigação em 30 anos
| Arte: Girley Vieira |
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Alexandre Caetano
A CPI da Aracruz Celulose foi instalada pela Assembléia Legislativa às vésperas de comemoração dos 30 anos de fundação da multinacional. É a primeira vez que o Legislativo decide investigar a fundo as atrocidades e irregularidades que são atribuídas à empresa. Fundada no auge da ditadura militar, a empresa durante todo esse período, enfrentou críticas de entidades ambientalistas e Organizações Não-Governamentais (Ong's).
Os impactos sociais e ambientais do eucalipto, cujos primeiros plantios no Espírito Santo foram feitos em 1967, sempre foram denunciados por especialistas, a começar pelo célebre cientista Augusto Ruschi. Por outro lado, também nunca deixaram de existir, entre os especialistas, aqueles que também sempre defenderam esse tipo de floresta.
Mas, depois de 34 anos de fundação da empresa e quase 24 anos a inauguração da primeira fábrica, o debate praticamente se restringiu aos especialistas, deixando de lado a população do Estado, que vêm pagando as conseqüências das ações da empresa. A Aracruz Celulose sempre teve sólido apoio junto às autoridades estaduais e federais, chegando a influenciar na escolha de dirigentes de órgãos da área do meio ambiente.
Através de um eficiente lobby junto aos parlamentares, os interesses da empresa também sempre estiveram protegidos na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional. Jamais havia ocorrido uma investigação da dimensão de uma CPI, que pelas suas próprias características, pode possibilitar um maior esclarecimento de problemas que afetam a população.
Essa situação começou a mudar no ano passado, durante o processo de aprovação da Lei 6.780/01, proposta pelo deputado Nasser Yossef (PSDB), que estabeleceu a realização de um zoneamento agro-ecológico, suspendendo o plantio de eucalipto até a sua efetivação.
A empresa se mobilizou contra a aprovação do projeto do deputado tucano. Numa audiência pública, chegou a financiar a vinda de funcionários de empresas do grupo, para "apoiar" os interesses da empresa. Mesmo assim, o projeto de lei foi aprovado pelos deputados estaduais, que depois derrubaram o veto do governador José Ignácio Ferreira (PTN).
O zoneamento foi iniciado, por insistência das entidades ambientalistas e Ong's, que acusam órgão do governo do Estado de não estarem participando dos trabalhos da comissão encarregada de sua realização. Mas, mesmo com a lei promulgada, a empresa manteve o plantio de eucalipto e a aquisição de terras.
Depois de diversas denúncias, no mês de fevereiro, Nasser Yossef (PSDB) protocolou o pedido de instalação da CPI, visando investigar supostas irregularidades da Aracruz no cumprimento da lei, na aquisição de terras e nos licenciamentos para o plantio de eucalipto. O pedido desencadeou uma mobilização sem precedentes da empresa, para impedir a instalação.
Diretores da empresa estiveram em Brasília e se reuniram com a cúpula de partidos políticos, como o PFL e PSDB. Até o vice-presidente Marco Maciel (PFL) foi procurado para defender os interesses da Aracruz. O deputado Cláudio Vereza (PT), denunciou que representantes da empresa teriam tentado obter apoio da bancada federal do Estado, argumentando que a multinacional estava sendo vítima de extorsão por parte dos deputados.
Recentemente, um gerente da Aracruz chegou a dar entrevista numa emissora de rádio, acusando as entidades que fazem críticas contra empresa de receberem dinheiro de concorrentes internacionais para atacá-la. A empresa também recrutou um sólido apoio junto da mídia.
Mas apesar de todas as pressões, a CPI foi criada e instalada no último dia 21/03. Este www.seculodiario.com firmou posição editorial favorável à instalação da CPI e, ao contrário de outros veículos, vêm se esforçando trazer à sociedade capixaba todas as informações possíveis sobre o assunto.
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