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Rogério Medeiros

Alemães

Kautsky, toda uma vida na floresta



O pesquisador incansável da Mata Atlântica,
Roberto Anselmo Kautsky


Entre os imigrantes alemães do seu principal pólo de colonização, que é Domingos Martins, existe um de vital importância par ciência: Roberto Anselmo Kautsky, um pesquisador da natureza festejado por parte considerável dos cientistas espalhadas pelo planeta. Oitenta e seis espécies de plantas foram descobertas por ele, nas suas incessantes incursões pelas matas capixabas. É Kautsky quem abastece grande parte dos seus amigos cientistas com suas revelações. Agora mesmo, ele acaba de encontrar uma nova espécie de peixe, do gênero Trichomycterus. Achou-a junto à nascente do Rio Jucu, na propriedade de Ângelo Belon. Suas descobertas, que acabam sempre nas mãos dos maiores especialistas para sua devida descrição científica, ingressam, geralmente, nos tratados de ciência com seu próprio nome. Assim, existe a Cattleya Schilleriana de 3 Labelos Memória Roberto Kautsky. Trata-se de um recordista.

Kautsky é filho de uma alemã com formação luterana e de um austríaco de origem católica. Um cruzamento, enfim, muito generalizado nas regiões capixabas habitadas por descendentes de europeus. Ele nasceu em Domingos Martins, onde continua vivendo. Está com 70 anos de idade e agora dedica-se o dia inteiro à natureza. Antes de assumir a condição de pesquisador de tempo integral, dividia seu tempo entre uma indústria de refrigerantes que instalou na cidade (guaraná Coroa) e suas andanças pelas matas, onde diz que "respira melhor, porque respira natureza". Hoje não existe mais a preocupação com a indústria. Ela foi passada para os filhos. "Sou um homem aposentado para a vida e disponível para a ciência", afirma.

Ele é neto de um professor alemão, que imigrou no vôo cego, como se costuma dizer daqueles que saem sem destino. Chegando a Vitória, o professor tomou conhecimento de que havia uma colônia de alemães em Domingos Martins. Subiu a serra e encontrou, para surpresa sua, um prefeito da mesma origem dele: a Áustria. Ele veio também, incentivado pela mulher, que via na mudança para o Brasil um meio de o marido livrar-se da boemia.

O pai de Kautsky bera criança ao chegar ao Espírito Santo. O avô enveredou pelo caminho da agricultura como os demais imigrantes. Acabou aprendendo a fazer vinho de laranja. Já o seu pai tomou o caminho do comércio e tornou-se um próspero comerciante. Mas naufragou, como a maioria dos comerciantes da época, na revolução de Vargas, onde houve a redução brusca do preço do café. Quebrado, virou industrial na marra, de posse de apenas uma roda de moinho. Ela foi adaptada para fazer vinho de laranja e depois deu origem à indústria de refrigerantes.

Nessa fase dura que atravessou seu pai, Kautsky virou menino vendedor de verduras na cidade. Mas depois que o pai saiu das dificuldades, ele pôde ir a escola. Primeiro, estudou na Escola Teuto-Brasileira, onde aprendeu alemão e português. Depois veio para Vitória para fazer o ginásio no Colégio São Vicente de Paula e encerrar seus estudos na Escola Agrotécnica de Santa Teresa, onde veio a travar conhecimento com o cientista Augusto Ruschi.

No curso de técnico agrícola, foi aluno aplicado, tendo ao final dele recebido um prêmio em dinheiro. Era uma quantia tão expressiva para a época que ele pôde utilizá-la na aquisição de terras. Foi quando se incorporou também à indústria do pai. Mas desenvolveu outras atividades: dedicou-se, por exemplo, a trabalhos como criação de galinhas e porcos.


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