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Século Diário
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Revista Século
de maio nas bancas
O capixaba de sucesso desta edição é também a capa da revista: Roberto Anselmo Kautsky. Talvez ele seja o capixaba de maior sucesso internacional no momento, pelas pesquisas que vem realizando na mata que cerca o complexo industrial do Guaraná Coroa, por ele fundado. Hoje distante dos negócios - entregue a seu filho -, Kautsky vem se dedicando integralmente ao trabalho científico, reconhecido por grandes pesquisadores de todo o mundo.
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| Rogério Medeiros
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Holandeses
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O isolamento em que viviam provocou casamentos entre parentes
Desprezados pelos lusos e desprezando eles próprios os cablocos,
acabaram por miscigenar-se quase que exclusivamente
com os pomeranos, formando famílias numerosas
A igreja aliviou, mas não o suficiente para tirar o holandês de um isolamento que provocou, durante boa parte de suas vidas na região, o casamento entre parentes, com graves prejuízos para o grupo. Isso a ponto de famílias, como a dos Lauret, terem os seus próprios cemitérios. O casamento entre eles se refletiu, de forma negativa, nas gerações seguintes.
Foram também submetidos a uma realidade bastante desagradável, que era a de não serem aceitos, para contrair matrimônio, pelos lusos das fazendas escravocratas, que se reputavam classe superior e discriminavam os demais colonos chegados da Europa. Os próprios holandeses também desprezavam os caboclos, tidos por eles como classe inferior, conforme o antropólogo Emilio Willems. Em face dessas contingências, os holandeses adotaram tardiamente os casamentos interétnicos. Casamentos esses que melhoraram as suas condições raciais, mas contribuíram, de certa forma, para serem absorvidos pelas etnias mais numerosas e de costumes mais arraigados, como é o caso específico dos pomeranos.
Tudo isso resultou num agrupamento relativamente modesto nas regiões inicialmente destinadas a eles, conhecidas como Holanda e Holandinha. Mas eles são muito encontrados em outras partes do município de Santa Leopoldina, principalmente nas vilas de Meia Légua e Garrafão. Nesses locais, eles estão misturados com pomeranos, na maior parte das vezes, e vivendo dentro dos hábitos e costumes dessa etnia.
A ponto de o velho Isac Louwers, que reside no Garrafão, dizer que para ele sobreviver na região teve de se tornar poliglota. Fala o seu dialeto, o pomerano, o português e ainda o alemão, conhecido como língua alta, para frequentar a sua igreja. E como ocorreu com outros holandeses, ele acabou, desposando uma pomerana. A situação de Isac revela o quadro de dificuldades que viveram os holandeses no seu processo de adaptação.
Surgiram, assim, novos padrões de comportamento que estão ligados à neutralização dos seus costumes, e para isso também concorreu o fato de os holandeses, à semelhança das demais etnias, serem, em seu país, de origem simples, ou seja, essencialmente súditos.
Acostumados a obedecer docilmente, como bem assinala Emilio Willens, os holandeses costumam considerar seus superiores as autoridades militares, civis e os fazendeiros.
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