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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Holandeses
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Os dialetos foram a grande força
para manter a continuidade cultural
O interessante é que a forma de viver de cada comunidade étnica que escolheu Santa Leopoldina como seu segundo chão passou, com o tempo, a representar culturas regionais e locais com padrões linguísticos diferentes.
Apesar dos anos passados, todas elas continuam comunicando-se pelos seus dialetos, através de gerações. Os filhos nascem no Brasil, mas continuam com o idioma de seus antepassados. Nem a escola onde aprendem o português é capaz de mudar esse arraigado costume, que permanece na sua relação familiar e com os vizinhos.
A sociologia ensina que, nas sociedades humanas, a educação, no seu sentido maior, exerce uma função básica: a de transmitir o acervo cultural acumulado na sucessão de gerações. Como não podem existir sociedades sem cultura, também não as pode haver sem educação. Pois se faltasse esta não haveria continuidade cultural, cada geração teria de recomeçar exatamente no ponto em que os antepassados começaram a sua experiência.
Outro ponto que favoreceu, e continua favorecendo, a preservação dos dialetos, está diretamente ligado aos comerciantes manterem em seus estabelecimentos despachantes que falam muito desses dialetos. Tornavam assim dispensável o conhecimento de português. Os holandeses hoje encontram-se espalhados pelo município de Santa Leopoldina e muitos vieram para Cariacica e Vitória para se empregarem em outras atividades. Algumas correntes de holandeses tomaram também a direção do Norte do Estado. Os que permaneceram na Holanda (muito poucos) e na Holandinha (em maior número) vivem em suas pequenas propriedades.
Eles são atualmente assistidos pela Associação de Apoio do Vale do Rio Santa Maria, dirigida por Adrianus Veenings, também holandês de origem. Adrianus trabalha com recursos captados na Europa, principalmente na Holanda, com a finalidade de desenvolver projetos na região do Rio Santa Maria, onde localizam-se esses descendentes de holandeses. E consta que eles se encontram em piores condições do que os seus antepassados que saíram da Holanda há 136 anos. A região que deixaram na Europa, vizinha à Bélgica, é hoje próspera localidade agrícola, produzindo beterraba, cenoura, trigo e frutas.
Adrianus, que a princípio teve dificuldades de entender o dialeto de seus patrícios, vive recebendo cartas de parentes na Holanda em busca de suas famílias que emigraram para cá. Mas os contatos são dificultados pelo desnível cultural entre eles. Enquanto os que se encontram na Holanda vivem numa economia desenvolvida onde o analfabetismo foi erradicado, aqui eles continuam sem instrução e sem absoluta noção de que existe um país diferente do seu. Coisa que vez por outra se dão conta apenas por perdida fotografia que o seu avô deixou entre os seus pobres pertences.
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