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Século Diário
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Revista Século
de maio nas bancas
O capixaba de sucesso desta edição é também a capa da revista: Roberto Anselmo Kautsky. Talvez ele seja o capixaba de maior sucesso internacional no momento, pelas pesquisas que vem realizando na mata que cerca o complexo industrial do Guaraná Coroa, por ele fundado. Hoje distante dos negócios - entregue a seu filho -, Kautsky vem se dedicando integralmente ao trabalho científico, reconhecido por grandes pesquisadores de todo o mundo.
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| Rogério Medeiros
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ÍNDIOS, NEGROS E PORTUGUESES
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A grande corrida de aventureiros às minas de ouro, diamantes e esmeraldas despovoou as vilas
Melhoraram as lavouras, cresceram os engenhos, o povoamento alargou-se. Contudo, as entradas para as minas representavam perda de elementos humanos: alguns dizimados pelos índios e então novas bandeiras formavam-se para vingar as destruídas e, com sua organização, escasseava o povoamento. No começo do século XVII, quando se intensificavam as descobertas, a população do Espírito Santo estava quase toda voltada para as minas. "A situação, pelo abandono da agricultura, era de pobreza", observa Diegues Júnior. "Havia então uns cinco mil vizinhos, entre brancos, pardos, pretos, forros e cativos. A arrecadação era ínfima e, segundo documentos, os dízimos não davam para cobrir os 'filhos da folha', quer dizer, os funcionários do Estado. O rendimento mal atingia $2.500.000".
Interessado na mineração, o governo português começa a olhar com mais cuidado para a capitania. Amplia-se o povoamento nas imediações de Vitória e começam a ser ocupadas as cabeceiras do Rio Jucu. Todo o século XVIII é de alargamento da área de ocupação humana do Espírito Santo. Em 1716, começa-se a incrementar o povoamento do extremo Norte, na bacia do São Mateus. Pelos vales dos rios, o povoamento vai aumentando. O vale do Rio Doce, por exemplo, teve seu povoamento intensificado pela criação do quartel de Linhares.
Essa expansão demográfica relacionava-se diretamente com a necessidade de aproximar-se das áreas de mineração. Ouro, diamantes e esmeraldas se tornaram uma sedução para esses colonos. Todo esse avanço concorria para a diminuição do interesse pela lavoura, ficando a agricultura em abandono.
Lusos detinham domínio político e econômico
Cessada a correria às minas em fins do século XVIII, a população começa a retornar à lavoura. O povoamento toma então feição definitiva, ou seja, a ocupação humana permanente. A agricultura, sobretudo a que no final do século XIX produziu o surto de riqueza no Espírito Santo, sedentarizou a população.
Os luso-brasileiros dominam as áreas políticas e comerciais do estado por longo tempo. A hegemonia política, por exemplo, vai até 1982, quando Gerson Camata torna-se o primeiro descendente de italiano a governar o Espírito Santo. Qualquer dúvida, porém, com relação às presenças de Carlos Lindemberg e de Arthur Gerhardt na lista de governantes do estado, devido obviamente às suas origens alemãs, deve levar em consideração que o primeiro é Monteiro e o outro, Santos.
Luso-brasileiro também era o clero, com os padres Marcelino e Antunes Siqueira, além do monsenhor Pedrinha. Procediam da mesma origem as principais figuras das classes produtoras: Cunha e Neves em São Mateus; Calmon em Linhares; Castelo, Freitas Rosa e Nunes na Serra; Lima, Moreira, Vieira, Machado e Monteiro em Cachoeiro de Itapemirim. Estiveram presentes, também, com destaque no setor de exportação de café, Oliveira Santos e Cia., A, Pedro e Cia., e Nolasco e Cia. Eram igualmente grandes comerciantes atacadistas Manoel Evaristo Pessoa e Manoel Gomes Carneiro.
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