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Século Diário
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| Rogério Medeiros
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Índios, Negros e Portugueses
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Americanos tentam formar colônia
À direita, descendentes de norte-americano John Joseph Merson,
um aventureiro que em meados do século XIX conquistou notoriedade
como marceneiro junto à nobreza do Espírito Santo
O coronel Charles Gunter, do Alabama, EUA, descontente com a derrota dos sulistas na guerra de secessão americana, veio com diversos colonos em 1865, para Linhares. O governo imperial autorizou-o a medir 20 léguas por dez léguas de terra nas margens Norte e Sul do rio Doce, próximo aos rios Mutum e Guandu. Mas o coronel preferiu ficar próximo à lagoa de Juparanã, onde se dedicou ao corte, proibido na época, de jacarandá. Como não podiam extrair árvores, o militar bateu em retirada com os 400 homens que trouxe para o Brasil em sua companhia. Ao que consta, desse grupo apenas uma única família ficou no Estado, graças ao casamento entre representantes da família Sá com a família Adnet (norte-americanos de origem francesa), em que se destacaram as exímias pianistas Áurea e Carmem.
Outro aventureiro americano que veio para o Brasil foi John Joseph Merson (grafia alterada para o português que acabou resultando em Merçon). Joseph chegou em condições completamente diferentes das do coronel Charles. Ele veio isoladamente, depois de indispor-se com o próprio pai no seu estado de origem, a Filadélfia. Como o pai, era marceneiro de profissão. Na condição de marceneiro, ele rumou para Nova Iorque para buscar trabalho, mas acabou convencido por um marinheiro a trabalhar em um navio que estava prestes a zarpar para a América do Sul, a galera "Agnes". O barco partiu de Nova Iorque no dia 16 de janeiro de 1854, levando 40 dias para chegar ao Rio de Janeiro.
A história do aventureiro John Merson
Com a mesma rapidez com que decidiu embarcar no navio, John também resolveu ficar no Rio de Janeiro, muito embora não soubesse uma palavra de português. Procurou emprego e encontrou a marcenaria de um português atabalhoado com o número de encomendas para entregar. O português logo ficaria impressionado com a habilidade de John que introduziu, com base na experiência do seu país de origem, móveis de estilo diferente dos que eram habitualmente fabricados no Brasil.
John ampliou a fama da marcenaria, que atraía, sobretudo, a nobreza. Entre esses novos clientes estava o barão de Itapemirim. Capixaba do Sul do Estado, ele estava em busca de móveis para a sua fazenda. John, sempre fascinado por uma aventura, não se fez de rogado: em pouco tempo instalava-se na sede da fazenda, em Santo Antonio do Muqui. Era um palacete suntuoso que ele levou dois anos para mobiliar completamente. Satisfeito com a qualidade do trabalho, o barão pagou-lhe mais do que o combinado inicialmente.
Ele deixou a fazenda do barão e seguiu para a colônia Rio Nova, criada para abrigar imigrantes europeus, e lá trabalhou durante algum tempo como marceneiro. Eram móveis de uma modéstia muito grande, comprando-se com os que fabricou para o barão e aqueles que deixou nas residências dos ricaços do Rio de Janeiro.
Na colônia, John conheceu a moça que viria a ser sua esposa. Por causa desse casamento ele resolveu transferir-se para outra região, dessa vez não mais em busca de trabalho em marcenaria. No Ribeirão das Lages ou Santo Amaro, ele se instalou com sua mulher, após penosa viagem. Abriu clareiras nas matas para erguer sua casa e lavouras. Nesse sítio, a que deu o nome de Bom Fim, John viveu grande parte de sua vida e criou sua família.
Os Merçon são hoje uma numerosa família, que equivocadamente é tida como de origem italiana. É constituída de profissionais liberais, professores, comerciantes, espalhados pelo Sul do Estado, notadamente em Castelo, e grande parte em Vitória.
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