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Rogério Medeiros

TIROLESES E SUÍÇOS

A tradição dos Holzmeister

Uma das famílias mais tradicionais do Espírito Santo tem origem no Innsbruck, Tirol austríaco. A família Holzmeister (holz-madeira; meister-mestre) chegou ao Espírito Santo em 1858, indo se instalar em Cachoeira de Santa Leopoldina, na região onde o Rio Santa Maria ultrapassa sua última cachoeira, atual sede do município de Santa Leopoldina. Da família Holzmeister vieram o chefe, que faleceu na travessia do Atlântico (sendo nele sepultado), e mais três filhos: Luiz, João e a única mulher, Notburg.

Luiz se estabeleceu na então vila de Cachoeira de Santa Leopoldina, tendo constituído grande família. Um dos seus filhos, Luiz Holzmeister, que ao morrer era um simples promotor de justiça local, por nunca ter desejado sair de onde nasceu, apesar dos vários cargos que lhe foram oferecidos, foi prefeito de Santa Leopoldina e construiu o prédio da prefeitura. Luiz também criou o Museu do Colono, cujo nome inicial foi Museu Holzmeister, e funciona até hoje num sobrado, na rua principal da cidade, que era residência da família. O museu é uma das principais atrações turísticas da cidade.

João, o segundo filho da família, estabeleceu-se com padaria, mas por motivos de saúde voltou à Áustria, indo morar em Innsbruck em companhia da esposa e dos filhos Clemens e Urbano, nascidos em Santa Leopoldina. Clemens se projetou como grande arquiteto, com dezenas de templos espalhados pela Áustria e outros países europeus, tendo, a convite de autoridades turcas, reconstruído a moderna cidade de Ankara, com seus imensos palácios e prédios de administração. Na Áustria, chegou a ser diretor da afamada Escola de Belas Artes de Viena e, posteriormente, em Madri, do Palácio das Festividades. O projeto arquitetônico da catedral de Belo Horizonte é também seu. Urbano, o segundo filho, tornou-se jesuíta. Poliglota, chegou a dirigir a Biblioteca do Vaticano.

A maioria deixou o Tirol capixaba

O poder de multiplicação dos tiroleses foi razoável, existindo hoje uma população de 25 a 30 mil no Espírito Santo, muito embora destes tenham ficado muito poucos no Tirol capixaba. A maior parte seguiu (como ocorreu com gerações seguintes de outros imigrantes europeus) para novas áreas do Espírito Santo, principalmente no Norte do Estado, vindo a se misturar a outras etnias. Fora os que mudaram para a sede do município, ficou na região do Tirol apenas uma população aproximadamente de mil pessoas. Essa reduzida população que constitui hoje o Tirol capixaba está diretamente ligada a fatores que alteraram também a vida de outras colônias européias: a expansão familiar das gerações seguintes em busca de terras para cultivar e as dificuldades advindas das mudanças ocorridas, por exemplo, com os meios de transporte.

Enquanto a produção foi transportada por tropas de mulas, ela chegava com relativa facilidade ao comércio de Santa Leopoldina. Que, diga-se de passagem, era, nas primeiras décadas do século XX, o principal centro econômico do Espírito Santo, condição que perdeu com a construção da estrada entre Santa Leopoldina e Vitória. Conseqüentemente, desapareceram as grandes firmas do município, entrando em colapso a economia local, o que afetou em especial o Tirol capixaba por causa da dificuldade de acesso de veículos motorizados para escoar sua produção.

A fundação da Associação dos Agricultores do Tirol e Califórnia veio, tempos depois, a estabelecer novos meios de proteção à produção local, tornando-se um instrumento de luta para a construção de estradas. A associação também trabalha frontalmente na recuperação e preservação das tradições tirolesas. Mas se houve relativo êxito na área cultural, onde já funciona uma escola há 17 anos ensinando alemão, do ponto de vista econômico nada, praticamente, ocorreu. As estradas construídas não foram sequer melhoradas para permitir o acesso de caminhões de médio porte à região.

Hoje se empenham em recuperar sua cultura

Dos mais recentes remanescentes dos Holzmeister, destaca-se José Luiz Holzmeister, sócio-fundador do Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo e membro da Academia Espírito-Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico.

Apesar de ser o menor dos grupos de imigrantes europeus do Espírito Santo, os tiroleses formam uma ativa comunidade que hoje se empenha na recuperação de suas tradições. As famílias existentes na região do Tirol capixaba são as seguintes: Schoft, Helmer, Walcher, Rimmel, Erlacher, Siller, Steiner, Reich, Kefler, Kallot, Thomas, Piecher, Waldraut, Gracill, Egg, Envald, Nagel, Lipahus, Pidner, Schliesmer, Pfurtscheller, Keffer, Muller, Waldner e Kapferer.


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