
Para o historiador Francisco Schwarz, que está concluindo um livro sobre as famílias de imigrantes europeus de Santa Leopoldina, existiam 140 famílias de suíços na região. Atualmente, somando os que ainda ficaram por lá mais os que se instalaram na sede do município, não há 80 pessoas. O fenômeno é interessante porque os demais grupos étnicos europeus perderam população, mas boa parte deles permaneceu nos lugares de origem.
Para alguns que ainda vivem por lá, como Florêncio Francisco Prasser, de 73 anos, a questão da saída de seus conterrâneos está ligada à dificuldade que o terreno muito montanhoso apresentava para a lavoura. "Isso aqui", disse, "teve vida enquanto a produção descia pelas tropas de mulas. Depois, quando veio o caminhão, o lugar foi morrendo". De fato, a topografia dos terrenos coincide com a alegação de Florêncio: são verdadeiros despenhadeiros.
Outro fator de dispersão da população foi, com certeza, a pouca presença de terrenos apropriados para a lavoura. Embora eles sejam bastante íngremes, portanto inadequados para pastagem, estão, mesmo assim, ocupados somente com o gado. Isso significa que a pequena propriedade foi substituída por uma bem maior.
Declínio foi previsto logo nos primeiros anos
Mas há quem ache que a causa de tudo foi a má localização dos suíços na região, por desconhecerem a agricultura. Eles eram carpinteiros, ferreiros, seleiros, trabalhadores avulsos, sem nenhuma experiência, portanto, para distinguir os terrenos mais adequados à lavoura. De certa forma, tem procedência esse argumento, já que os suíços, junto com os tiroleses austríacos, foram os primeiros que chegaram no município, na época da Colônia Imperial Leopoldina.
Tendo à sua disposição uma enorme extensão de terra para escolher a área que lhes agradasse mais, no entanto ficaram, sem qualquer queixa, nos terrenos a eles destinados pela direção da colônia, por volta de 1856. A Monografia Estatístico-Descritiva do Município de Santa Leopoldina (1949), de Luiz Paysan Holzmeister, sitou os suíços à margem do rio Santa Maria, numa extensão de terra de quatro léguas em quadra, para fundação de sua primeira povoação.
Segundo ainda Holzmeister, os suíços chegaram em 1856 (já o historiador Francisco Schwarz diz que foi por volta de 1857). Eram 160 pessoas e faziam parte do grupo de famílias Schulthais e Prasser. Receberam do governo 140 prazos de terra (medida da época). Foi designada para a sede da colônia uma faixa de terra à margem do Rio Santa Maria, a quatro milhas acima da Cachoeira do Funil, lugar ainda hoje denominado Suíça, nome dado pelos próprios suíços, apesar de a direção da colônia ter lhe conferido outra designação: Colônia Santa Maria.
Em face dessa localização é que o barão e diplomata suíço Johan Von Tschudi, que visitou seus compatriotas em 1860, disse em relatório ao governo de seu país que eles foram instalados em glebas de baixa fertilidade. Concluiu ainda serem ruins as condições de vida dos colonos e previu o seu colapso. Descreveu ainda parte do vale do Rio Santa Maria, citando até afluentes, para mostrar que havia áreas melhores para eles ocuparem.
A previsão de Von Tschudi se consumou 70 anos depois. Com certeza, a sorte dos suíços, que passivamente aceitaram esses terrenos impróprios para a agricultura, seria outra hoje se tal previsão tivesse sido levada em conta pelo governo imperial. Pelo menos evitaria que os atuais moradores da região recorressem com tanta freqüência à proteção da santa padroeira da região, Nossa Senhora das Graças, contra o destino de viverem em quieta e amargurada pobreza.