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Século Diário
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Estação Cultural
O ENCONTRO DA ARTE COM O ZEN
casca ôca
a cigarra
cantou-se toda
Bashô (século XVII)
O diálogo intenso entre o zen e as artes profundamente enraizado nos países do Oriente. Desde a China Antiga, a visão de mundo e o modo de vida dos grandes mestres despertaram vivo interesse entre poetas, pintores e artistas em geral, com muitos deles participando ativa-mente das comunidades que gravitam em torno dos mosteiros. No Japão, em especial, a concentração e o dinamismo zen se propagaram de tal forma pela cultura do povo que acabaram influenciando praticamente todas as expressões artísticas, da jardinagem à poesia, da cerimônia do chá ao teatro, dos arranjos florais à pintura, da música à dança.
Mantendo acesa esta tradição milenar, o Mosteiro Zen Morro da Vargem inaugurou no verão de 1995 sua Estação Cultural, espaço-residência voltado a artistas de todas as áreas, experiência pioneira no Brasil. Aberto com uma exposição da pintora Tomie Ohtake, o espaço funciona como um misto de ateliê, escritório e galeria de arte. Ali, com privilegiada visão panorâmica dos vales e montanhas que circundam a região, poetas, pintores, paisagistas, fotógrafos, atores, músicos ou cineastas podem desenvolver novos projetos artísticos, passando uma temporada em contato direto com a natureza e em proximidade com a vida de um mosteiro zen.
Os residentes contam com uma cozinha independente, para o preparo de suas próprias refeições, dependências para repouso e amplo espaço para a criação de suas obras. A arquitetura simples e funcional, a exuberância da paisagem e o silêncio do local propiciam inesgotável fonte de inspiração aos que se dedicam ao cultivo das artes.
Desde a abertura, o espaço vem abrigando um número crescente de artistas. Na ampla sala central, que se abre para um deck emoldurado pela visão da Mata Atlântica, foram apresentados, nos três primeiros anos de funcionamento, recitais de música, coreografias e exposições de esculturas, criados durante o próprio período de residência. O local é utilizado também para workshops, exibições de vídeos e realização de cursos de artes não-tradicionais no Ocidente, como o ikebana ou a cerimônia do chá.
Com um histórico recente, mas conectada a uma tradição bastante remota, a Estação Cultural insere-se num contexto de relação criativa e de aproximação cada vez maior entre o rigor do zen e o vigor das artes no Brasil.
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