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Maciel de Aguiar

Negros no Espírito Santo


A queima dos documentos foi uma preocupação cívica ou clara intenção de evitar que uma das piores manchas da história do Brasil pudesse ser mostrada em toda a sua força com o registro escrito das barbáries cometidas contra uma raça?

O fato é que, por decreto oficial do ministro Rui Barbosa, todos os registros históricos da escravidão no Brasil foram destruídos.

Eis porque a história do sofrimento dos negros jamais poderá ser escrita com precisão documental. Conheça na integra o famigerado decreto:

"Ruy Barbosa, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e presidente do Tribunal do Tesouro Nacional, Considerando que a nação brasileira, pelo mais sublime lance de sua evolução histórica, eliminou do solo da pátria a escravidão - a instituição funestíssima que por tantos anos paralisou o desenvolvimento da sociedade, inficionou-lhe a atmosfera moral; Considerando que a República está obrigada a destruir esses vestígios por honra da pátria, e em homenagem aos nossos deveres de fraternidade e solidariedade para com a grande massa de cidadãos que pela abolição do elemento servil entraram na comunhão brasileira:

R e s o l v e :

1º ) Serão requisitados de todas as tesourarias da Fazenda todos os papéis, livros e documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda, relativos ao elemento servil, matrícula dos escravos, dos ingênuos, filhos livres de mulher escrava e libertos sexagenários, que deverão ser sem demora remetidos a esta capital e reunidos em lugar apropriado na recebedoria.

2º ) Uma comissão composta dos Srs. João Fernandes Clapp, presidente da confederação abolicionista, e do administrador da recebedoria desta capital, dirigirá a arrecadação dos referidos livros e papéis e procederá à destruição imediata deles, que se fará na casa da máquina da alfândega desta capital, pelo modo que mais conveniente parecer à comissão.

Capital Federal, 14 de dezembro de 1890

Ruy Barbosa
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