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Século Diário
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| Maciel de Aguiar
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Maciel de Aguiar, o autor
O escritor, jornalista e, sobretudo, como ele mesmo afirma, pesquisador da história dos vencidos, Maciel de Aguiar nasceu em Conceição da Barra, Espírito Santo, em 11 de fevereiro de 1952, mas logo aos oito anos mudou-se com os pais - Walter Aguiar e Odete Maciel Aguiar - , para a vizinha cidade de São Mateus, onde iniciou os estudos primários.
Em 1968, ganhou sua primeira eleição para presidente do Grêmio do Colégio Estadual "Ceciliano Abel de Almeida", e começou a incomodar a classe dominante local, quando realizou "a primeira passeata no mundo em defesa das prostitutas que viviam segregadas nos casarões do Sítio Histórico do Porto de São Mateus, sem direito à saúde e condenadas à morte".
A aristocrática e conservadora São Mateus ficou pequena para a personalidade inquieta e contestadora daquele jovem que revirava o passado do sistema escravocrata, que todos queriam ver esquecido. Maciel passou a entrevistar centenas de negros e, com isso, foi se interessando pela história dos personagens que lutaram bravamente contra os senhores, cujos descendentes ainda andavam pelas ruas que ostentavam os nomes dos seus antepassados como benfeitores.
Surpreendeu os historiadores do Espírito Santo quando pesquisou e redescobriu a história de vários personagens das inúmeras lutas pela libertação dos escravos. Todos esses heróis negros foram redescobertos por Maciel de Aguiar, que passou a incomodar a classe dominante local com um "passado que deveria continuar sepultado".
Impossibilitado de continuar vivendo em São Mateus, o jovem foi parar no Rio de Janeiro, onde exerceu o jornalismo, publicou vários livros e foi produtor e empresário de artistas de renome nacional. De volta a São Mateus, em função da morte do pai, passou a lutar pelo tombamento e restauração do casario do Sítio Histórico do Porto, sendo o seu mais importante defensor.
No Rio de Janeiro, durante dez anos, Maciel de Aguiar produziu expressiva obra poética, composta de dezenas de livros, com uma resposta à Ditadura Militar que se implantara no país em 1964. Esses livros, hoje, representam um grande e importante testemunho dessa época de horror e impunidade. Alguns já foram traduzidos para outros idiomas.
Ao completar vinte e cinco anos de literatura, estará publicando sua obra completa, que é composta de 32 livros e está sendo editada pela Editora Brasil-Cultura. Sua literatura recebeu o incentivo e o aplauso dos mais importantes escritores brasileiros, como Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Josué Montello, entre outros, e seu nome figura no Dicionário Prático de Literatura Brasileira, de Assis Brasil - Edições de Ouro, Editora Tecnoprint, 1979 -, como "registro dos principais escritores brasileiros da nova geração".
Voltou a viver em São Mateus e, como na juventude, continua incomodando a muita gente. Lamenta o fato de que algumas pessoas utilizem-se de suas pesquisas sobre os revolucionários negros sem citar a fonte, razão por que inicia agora a publicação dessa série, História dos Vencidos, como o pesquisador e escritor que descortinou a vida dos nossos revolucionários e heróis populares, "esquecidos e sepultados".
O historiador, poeta e colecionador, Elmo Elton, já falecido - que publicou um livro sobre São Benedito utilizando-se de vasta pesquisa sobre a história de Benedito Meia-Légua realizada por Maciel de Aguiar -, não se cansava de afirmar que "Maciel é o mais importante pesquisador da história dos negros do Espírito Santo, redescobridor de heróis e personagens da época da escravidão, e que, não fosse sua dedicação, a história dos negros de São Mateus e de Conceição da Barra seria obscura, apagada e destituída de qualquer importância". Disse, ainda, que ele "deu uma enorme contribuição para a redescoberta da grandiosidade, da coragem e da luta dos bravos negros do Vale do Cricaré".
Maciel de Aguiar é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e sindicalizado nos sindicatos dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro e dos Jornalistas Profissionais do Estado do Espírito Santo.
Fontes de pesquisa
· Entrevista com o mestre do Baile de Congos,
José Antônio Jorge (Zé de Ana), 85 anos,
em 18 de junho de 1978.
· Entrevista com o mestre da Marujada,
Zoroastro Valeriano Rodrigues, 86 anos,
em 4 de setembro de 1978.
· Entrevista com o mestre de Capoeira de Angola,
Teodorinho Trinca-Ferro, 104 anos,
em 10 de maio de 1978.
· Acervo particular do autor.
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