...que não tem fim...
que não tem fim...
Vazia de destino e de gente, a cidade de Ecoporanga esvaziou-se de perspectiva. A cidade foi, e é, símbolo de uma época de contendas fundiárias e brigas de fronteira ao longo dos anos 50.. Que resultaram no êxodo de milhares e milhares de pequenos posseiros quando o aventureiro baiano Udelino Alves de Matos, no início daqueles turbulentos anos, decidiu fundar, pelas armas, um novo estado na região. Fracassou.
Udelino buscava justamente apaziguar a briga de fronteiras entre Espírito Santo e Minas Gerais. Briga que acabou se acirrando em função dessa frustrada tentativa de Udelino e suas esfarrapadas tropas.
Iniciou-se, então, o segundo grande esforço de levar o desenvolvimento à região. O primeiro, no final dos anos 20, dera-se de forma atabalhoada e pouco clara para a História. Consta que foi o governador Florentino Avidos quem o implementou, ao construir a ponte sobre o rio Doce, grande porta do norte capixaba. Não há lembrança, oficial ou oficiosa, dos homens afogados no desafio das mãos que lapidaram o equilíbrio do vôo dessa ponte, eternizado no ar. Foram nordestinos, mineiros e imigrantes desgarrados que a construíram, imagina-se hoje. Mas quem abriu o portal e construiu a passagem para a colonização do norte capixaba?
A continuação do projeto atribuído a Florentino Avidos contemplava a região com uma estrada - primeiro, de ferro; depois, de asfalto mesmo. Mas, até hoje, nada de estrada, nada de ligações entre as cidades nascidas e criadas sob essa inspiração. É uma estrada que tem começo, mas não tem fim. Morreu onde nasceu, no rio Doce, para depois ser sepultada em alguma gaveta oficial.
Consta agora que será ressuscitada.
Foi no rastro desse sonho que o repórter Adilson Vilaça e o fotógrafo Tadeu Bianconi embarcaram para uma viagem à região. Eles resgataram boa parte dos dois tempos mais marcantes dessa história (anos 20 e 50) e contam, em registros fartos de imagens, como as pessoas estão vendo o futuro da região que ponteia o nosso mapa ao norte e a noroeste do Estado.
Acompanhemos, pois, as anotações desse magnífico diário de viagem dos dois brilhantes profissionais de SÉCULO.
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