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Fevereiro/2001 nº12


O Desperdício nosso
de cada dia

Todo dia é jogado no lixo, em terrenos a céu aberto, um volume enorme de rejeitos prejudiciais à saúde e nocivo à economia. Não há cuidados por parte das autoridades para orientar as populações prejudicadas. E só alguns poucos felizardos vêm tirando proveito
financeiro desse nosso desperdício diário
Petróleo no
Espírito Santo

Rossini Amaral e Fernanda Couzemenco mostram como duas localidades vivem a expectativa do petróleo: Anchieta e Regência
Capixabas de Sucesso
Restaurantes São Pedro e Pirão, o eixo da moqueca: há quase meio século seus donos mantêm elevado o padrão da culinária capixaba
Traços de União
Tudo começou na senzala: de um canto sofrido, nasceu a tradição da dança que acompanha nossas gerações. Do jongo ao forró, do techno à dança de salão, as quentes noites capixabas ganham sensualiade nas boates, nos salões e nas praias
Capixabas em Rondônia
Com ousadia e muita disposição para o trabalho, capixabas escrevem uma saga de conquistas na região Norte do país
Esporte por esporte
A família Grijó mantém a legenda que consagrou alguns de seus membros nas quadras de basquete





  CONVERSA DE MULHER

Maria Helena Buarque Souza de Lima, 32 anos, solteira, fisioterapeuta, moradora da Praia do Canto:

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"O parceiro ideal para mim poderia ser definido como companheiro. Um homem que possua o mesmo nível cultural que o meu, pois fica até difícil relacionar-se, manter um diálogo, quando há um desnível, o que influi na escala de afinidades e gostos. Gostaria de um parceiro de vida – não um provedor – mas que esteja no mesmo patamar profissional que eu. Quanto à aparência, não é essencial, apenas ajuda. Presentemente, vivemos o mito do culto ao corpo, que tem aspectos positivo e negativo. É positivo quando prioriza a saúde e negativo quando visa exclusivamente à questão estética. Como qualidades pessoais, ressalto o caráter, a boa formação moral e ética – há uma corrupção generalizada no país – e, no momento, dá-se mais ênfase à educação, em detrimento da formação moral que está esgarçada, solta. Um homem afetuoso, confiável – portanto, fiel, pois entendo que o conceito de moralidade já implica não trair seus princípios - com uma pitada de ambição profissional. Sou uma pessoa racional: acredito que só o amor romântico não segura nenhuma relação. Aliás, amor para mim é sentimento maior que engloba amizade, respeito e cumplicidade".

Sheila da Costa Faro, 30 anos, casada há 12 com Renil Klippel, comerciária, duas filhas – Brunna, com 2 anos, e Brunella, com 9 -, moradora do Bairro República.

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"O homem do XXI deverá ser sobretudo companheiro. Para todos os aspectos da vida, incluindo-se o financeiro. Entendo que as despesas da casa e a dos filhos têm que ser divididas. Seguem-se as características: amoroso, fiel - acho que esse item faz parte da Ladainha dos Impossíveis (ri gostosamente) - que tenha caráter, princípios e priorize a família. A família deve vir sempre em primeiro lugar, especialmente os filhos. E, se for possível, - por que não? - boa aparência, um corpo harmonioso, com destaque para um belo tórax, mas não excessivamente musculoso. O que não tolero em um parceiro? Impaciência, machismo e desonestidade. As bases de uma relação amorosa, no meu entender, são o companheirismo, a cumplicidade e a confiança. Aliás (ri novamente, com certa timidez), meu marido é quase perfeito.... só não o é porque perfeição não existe".

Rosiane dos Santos Soresini, 32 anos, oficial de Justiça, solteira, formada em Administração de Empresas e cursando o 4º ano de Direito, residente na Praia do Canto.

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"Pretendo do meu parceiro, sobretudo, inteligência. Gosto de um bom papo, é fundamental, próprio dos homens que têm cultura. Aprecio ser estimulada intelectualmente. Gostaria também que ele desfrutasse de estabilidade profissional e emocional para ter equilíbrio. Em terceiro lugar, cito a família. Um homem sendo família será bom marido, bom pai, porque já é bom filho. E, ainda, que professe uma religião. Não importa qual, mas que tenha fé em Deus, evidenciando ter formação religiosa. Sou espiritualista. Leio Allan Kardec, Brian L. Weiss, entre outros. Quanto à aparência... as primeiras coisas que observo em um homem são o olhar e o sorriso. É preciso ter dentes bonitos. Quanto ao corpo, que seja harmonioso, mas não exibindo uma musculatura exagerada, artificial. E, claro, é preciso que seja fiel, companheiro, amigo, carinhoso – especialmente companheiro -, um verdadeiro parceiro de vida. Se possível, que goste de viajar... adoro viajar! Sabe, não olho para conta bancária, sou financeiramente independente, mas quero um parceiro batalhador, estudioso, para crescer profissionalmente. E aí, sim, poderemos andar pela vida de mãos dadas. Coisa que não tolero – já fui noiva três vezes, sabia? – é ser cerceada por insegurança, ciúme excessivo de namorado que quer manter um controle total e absoluto sobre minha vida, até mesmo sobre meu círculo de amigas. Ciúme e insegurança do parceiro acabam impedindo o crescimento profissional de muitas mulheres. Por isso quero um que me estimule a estudar, trabalhar... enfim, que vibre com meus ideais de crescimento profissional. E pode apostar – escreva aí – eu não só quero, como serei juíza de Direito".

Ana Paula de Souza Gonçalves, 20 anos, solteira, estudante de marketing da Univila, trabalha na empresa Carminha Correa Comunicações e reside em Jardim da Penha.

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"Olha... vou falar por ordem de prioridades: 1º, ser fiel; 2º, ter maturidade, responsabilidade; 3º, um pouco de romantismo; 4º, ser carinhoso, educado e cheiroso (cheiroso pode parecer bobagem, mas é importante, sim); 5º, tem que ser companheiro para tudo - estudar, trabalhar, sair, divertir-se, saber partilhar momentos bons e maus; 6º, ser batalhador na área profissional e, ao mesmo tempo, esforçado para melhorar sua formação acadêmica para obter sucesso e crescer na profissão; e, finalmente... saber conversar, pois valorizo um bom papo, aquele jeitinho especial para conquistar uma garota. Mas, atenção: não suporto playboy! Quanto à aparência, não precisa mesmo ser bonito, ter beleza exterior. Se tiver essas qualidades, mesmo sendo feio, não terá a menor importância para mim. Das características que não gosto ressalto a infidelidade, a mentira – detesto homem mentiroso –, grosseria, brutalidade, má educação e homem-galinha, que fica ciscando com todo mundo".

Judith Cruz Góes Coutinho, 21 anos, solteira, jornalista, auxiliar de pauta da Rádio CBN, moradora da Praia da Costa.

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"O perfil ideal do homem do XXI soma várias características: ser gentil, trabalhador, honesto, afável, que estimule a mulher profissionalmente sem ter ciúme do crescimento profissional da parceira e romântico. Sou uma mulher romântica, gosto de receber cartas, flores e atenções. Também é importante a fidelidade. Aliás, considero essa uma das qualidades mais prioritárias. Não conseguiria conviver com uma pessoa que um dia me traiu. Quando estou com uma pessoa, dou-me por completo, por essa razão exijo reciprocidade. Amor é parceria, convivência. Sei que viver junto é difícil, daí a necessidade da pitada de romance. Caso contrário o amor acaba quando não se cultiva o lado romântico. E, se não houver romance, a relação não sobrevive! Quanto à aparência física, o que me atraiu de início em meu namorado foram seus olhos verdes. Para falar a verdade, não me ligo muito em corpo, a despeito do meu parceiro possuir um bem bonito. Mas não foi esse fato, absolutamente, que determinou nosso relacionamento. Não gosto da idolatria atual à estética corporal, o importante é o que está no interior da pessoa. Gosto, também, da proteção masculina sem descambar para o machismo – detesto machismo! – pois acredito, firmemente, que homens e mulheres são iguais. Meu namorado e eu temos planos de casamento, mas ainda não definimos a data".

Mariana Cicatelli dos Anjos, 22 anos, solteira, estudante de Letras Estrangeiras Aplicadas, na Sorbonne, Paris IV, há 13 anos residindo na França.

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"Para mim, o tipo de homem ideal seria o que sempre estivesse à escuta. Uma pessoa que respeitasse as escolhas da parceira, um homem com quem eu pudesse compartilhar paixões e lazeres. Um companheiro de verdade! Tão íntimo, tão cúmplice, que eu não precisaria refletir muito para dizer algo, policiar-me, podendo ser natural, franca, agindo sempre com máxima espontaniedade, sem nada de artificial. É difícil encontrar uma pessoa assim... Se achasse, ela passaria a ser tudo para mim! Esse tudo quer dizer: melhor amigo, irmão, protetor como um pai, parceiro na divisão de responsabilidades, inclusive a financeira. Acho errado quando as mulheres vão a um restaurante e só os homens pagam a despesa. Quanto à aparência, creio que ela funciona somente para a primeira atração. Esse item jamais seria o critério para a escolha do homem da minha vida. Porque envelope – como se diz na França –, cobertura só não basta. Para se viver junto é preciso muito, muito mais! Aqui no Brasil, observo o fenômeno do culto ao corpo, que é muito marcante, e inexiste no país onde vivo. O lado bom é a preservação da saúde – não fumar, não beber em excesso - mas há o lado ruim: com essa supervalorização do corpo muitas jovens brasileiras acabam não se enquadrando nesse rígido modelo e sentem-se discriminadas e infelizes. Na França, a relação com o corpo é diferente... talvez, porque sendo o Brasil um país tropical, com tantas praias, o corpo fique mais exposto. Acho que essa exacerbação do lado estético acaba levando as pessoas à superficialidade. Por último, gostaria que meu parceiro fosse batalhador, guardando ambições de crescimento intelectual e profissional. Acho muito importante que as pessoas acreditem em si. É preciso sonhar alto, sim! O que não tolero são manifestações de deseducação, violência e brutalidade. Que não se restringem à parte física. Há a violência verbal, também!

Pronto, Angélica. Você acha que essa geração de mulheres terá mais chances de encontrar o parceiro ideal do que a nossa? Constato, surpresa, que a lista de exigências femininas - Sacros Numes! - triplicou. E tem mais: algumas expectativas revelam-se até mesmo conflitantes. Observe: querem um relacionamento que conjugue componentes próprios de uma relação romântica simbiótica, fechada, com elementos típicos de relação livre, aberta, onde a individualidade é preservada. Paradoxal, não? Falam em companheirismo, cumplicidade e parceira – que sempre implica em ceder alguma coisa - mas enfatizam não aceitar nenhum tipo de cerceamento! Não bastasse esse imbróglio... a velha fidelidade monogâmica renasceu com força total: aliás, está em cotação máxima! Sei não, Angélica... Ou esse novíssimo homem do XXI terá que se reformular por inteiro (suspeito que até geneticamente!) ou – pode apostar! - sérios problemas à vista. Melhor é acompanhar, com nossos já experientes e observadores olhos, cumprindo à risca o ensinamento do gênio Einstein: "Jamais penso no futuro. Ele chega logo". Pois quando o futuro chegar – e já não chegou?! Não estamos a estrear o Século das Mulheres?! - a gente vê como fica...

Beijos. Espicaçados por intensa curiosidade

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