logo_revista.GIF (4482 bytes)

Principal | Século Diário | Arquivo | Expediente | Cartas  

capa.jpg (3928 bytes)

Fevereiro/2001 nº12


O Desperdício nosso
de cada dia

Todo dia é jogado no lixo, em terrenos a céu aberto, um volume enorme de rejeitos prejudiciais à saúde e nocivo à economia. Não há cuidados por parte das autoridades para orientar as populações prejudicadas. E só alguns poucos felizardos vêm tirando proveito
financeiro desse nosso desperdício diário
Petróleo no
Espírito Santo

Rossini Amaral e Fernanda Couzemenco mostram como duas localidades vivem a expectativa do petróleo: Anchieta e Regência
Capixabas de Sucesso
Restaurantes São Pedro e Pirão, o eixo da moqueca: há quase meio século seus donos mantêm elevado o padrão da culinária capixaba
Traços de União
Tudo começou na senzala: de um canto sofrido, nasceu a tradição da dança que acompanha nossas gerações. Do jongo ao forró, do techno à dança de salão, as quentes noites capixabas ganham sensualiade nas boates, nos salões e nas praias
Capixabas em Rondônia
Com ousadia e muita disposição para o trabalho, capixabas escrevem uma saga de conquistas na região Norte do país
Esporte por esporte
A família Grijó mantém a legenda que consagrou alguns de seus membros nas quadras de basquete





  CAPIXABAS DE SUCESSO

São Pedro/Pirão
O eixo da moqueca

Marilza Bigio

Meio século de simpatia e competência, atraindo e encantando com as delícias da nossa culinária

Tom Boechat
pag52foto1.jpg (7523 bytes)

Já lá se vão 48 anos. "Seu" Hercílio Alves da Silva, que já havia trabalhado nas lojas Pernambucanas e era dono de um pequeno armazém de secos e molhados, e sua mulher Almerinda, filha de italianos (Guido Ananza e Giulia Castiglioni, que era costureira em Itapira e veio para Vitória confeccionar roupa masculina), decidiram mudar totalmente de vida e abrir um barzinho na Enseada do Suá, junto à praia que logo haveria de desaparecer. Corria o ano de 1952, era a época do aterro de Bento Ferreira. Engenheiros e operários se habituaram ao prato feito do restaurante São Pedro, duas portinhas na avenida Ferreira Coelho. Que em sua longa história - parte dela documentada em um livro de assinaturas - recebeu honrado e satisfez plenamente gente como JK, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e praticamente todos os governadores e políticos de projeção deste estado.

Ricardo Medeiros

pag52foto2.jpg (5808 bytes)

Um dos filhos, que tinha o nome do pai, acabou conhecido como Pirão, primeiro para facilitar a identificação, depois como gozação e logo como homenagem a quem realmente entende como ninguém de culinária capixaba - que tem, claro, entre suas principais características, o auxílio luxuoso do pirão. Depois de uns 14 anos de trabalho duro, ainda bem jovem (trabalhava com o pai desde os 9), com a morte da mãe, o filho do seu Hercílio decidiu ir à luta, trabalhando em várias atividades até aparecer com boas idéias, um sócio, disposição e competência para abrir o Pirão, talvez hoje o restaurante mais conhecido de Vitória, com 13 anos de presença fixa no Guia Quatro Rodas.

Tom Boechat
pag52foto3.jpg (5719 bytes)

Unem-se os dois restaurantes pela origem, é a mesma família. Janete, que ajuda a irmã Ruth, esta responsável por tocar o restaurante São Pedro (enquanto a terceira sócia, também irmã, Ivone, se encontra nos Estados Unidos), conta a história do lugar. Nos diversos momentos em que alguma coisa lhe escapa à memória, Janete logo indica: "Fala com o Pirão, que ele lembra mais do que eu".

Família é família. E empresas familiares, que são tradição no Brasil, cada vez mais estão se reciclando, se atualizando, para se fixar na preferência dos clientes. O Pirão é mais ligado nessa tendência, faz marketing, é citado todos os anos, com receitas e detalhes da cultura capixaba, no Guia Quatro Rodas. Na revista Gula é figurinha fácil, na Vida Vitória tem presença habitual.

pag52foto5.jpg (5596 bytes)

Por toda a casa - espaço amplo e claro na Praia do Canto - vêm-se fotografias de muita gente sangue-bom que por lá passou e deixou testemunho sempre - em bilhetes, autógrafos ou, de volta a seus locais de origem, falando a toda a gente, na tv e na imprensa, sobre as excelências do Pirão. Como Armando Nogueira, que vindo a Vitória com seu ultra-leve faz sempre questão de passar por lá (está em várias fotos). E já deixou em suas mesas vários bilhetes, como este: "Pirão, comi o seu pirão e pirei!"

Já no São Pedro, o marketing é a História. Na entrada, sempre exibiu fotos dos mais ilustres freqüentadores. Mas hoje, em dias de reforma rápida, para dar mais espaço ao hall de entrada, mantendo o lindíssimo piso original em preto e branco, as fotografias estão bem guardadas. Janete mostra um pouco do verdadeiro acervo histórico do São Pedro. Tem o prefeito Adelfo Poli Monjardim, tem o presidente da Assembléia Legislativa Elcio Cordeiro ("que assumiu quando o popular Chiquinho de Aguiar 'foi saído' do governo pelo golpe de 64", esclarece Pirão), mais o "seu" Hercílio, o fundador, e o bispo Luís Scartegagna, na foto de reinauguração depois da única reforma, em 62. Em outras fotos, vê-se o ex-prefeito Crisógono Cruz, até hoje um freqüentador, na época em que comandava as obras do aterro de Bento Ferreira. Tem o ex-chanceler Santiago Dantas, tem Carlos Lacerda, tem Juscelino Kubitschek... fora as mais conhecidas figuras da elite intelectual e política da Ilha.

Cada um a seu modo, os dois pólos do Eixo da Moqueca demonstram que competência e amor à culinária, à cidade e ao Espírito Santo não apenas "dão Ibope" - trazem sucesso de crítica, público e bilheteria - como enriquecem a vida pessoal de cada um com amigos, lembranças e sonhos.

1 | 2 | próxima >>

De história e folclore | Fatos e lendas do sertão | Mídia na mira | Conversa de mulher Livre pensar | Crônica | Principal | Arquivo | Expediente | Cartas