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Fevereiro/2001 nº12


O Desperdício nosso
de cada dia

Todo dia é jogado no lixo, em terrenos a céu aberto, um volume enorme de rejeitos prejudiciais à saúde e nocivo à economia. Não há cuidados por parte das autoridades para orientar as populações prejudicadas. E só alguns poucos felizardos vêm tirando proveito
financeiro desse nosso desperdício diário
Petróleo no
Espírito Santo

Rossini Amaral e Fernanda Couzemenco mostram como duas localidades vivem a expectativa do petróleo: Anchieta e Regência
Capixabas de Sucesso
Restaurantes São Pedro e Pirão, o eixo da moqueca: há quase meio século seus donos mantêm elevado o padrão da culinária capixaba
Traços de União
Tudo começou na senzala: de um canto sofrido, nasceu a tradição da dança que acompanha nossas gerações. Do jongo ao forró, do techno à dança de salão, as quentes noites capixabas ganham sensualiade nas boates, nos salões e nas praias
Capixabas em Rondônia
Com ousadia e muita disposição para o trabalho, capixabas escrevem uma saga de conquistas na região Norte do país
Esporte por esporte
A família Grijó mantém a legenda que consagrou alguns de seus membros nas quadras de basquete





  TRAÇO DE UNIÃO

Rebolado - Remelexo - Requebrado
É com a gente mesmo
Do congo ao forró, um roteiro dos embalos que aquecem o verão capixaba

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Marilza Bigio
Fotos: Tom Boechat

Esse canto é da senzala, irmão.
Chegou aqui com a escravidão.
E cresceu no trabalho
dos canaviais.
É mais que um canto,
é uma oração.
(Traço de União - João Bosco/ Martinho da Vila)

Esse canto vindo da senzala hoje é um canto universal. Faz o mundo cantar e rebolar. É quando se vê gente como Simon e Garfunkel (Mrs. Robson) viajando à Bahia para apreender o ritmo do Olodum e com ele enriquecer sua música. É quando se vê gente como Ray Charles (Georgia on my mind) se balançando ao piano enquanto esta autêntica máquina de rebolar que é Daniela Mercury arrebenta num comercial de cerveja. Diz Ray Charles: "Let’s go, Daniela". E a baiana deixa cair. Sensacional! Emocionante!

Esse canto é muito forte, irmão,
É um forte traço de união.
É linda a sua história,
A história desse canto
É a mesma história desta nação.

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Foi com a bossa-nova, primeiro, e com seus legítimos sucessores – Caetano, Gil, Milton, Djavan, Chico – que o Brasil finalmente se libertou das confusões em torno de sua história e seus ritmos: Buenos Aires nunca mais foi citada como capital brasileira; a rumba passou a ser cubana, como sempre foi, deixando de ser atribuída ao nosso acervo musical; e o tango se fixou com a identidade argentina.

A confusão tinha razão de ser, entre outros motivos porque a baiana de Carmem Miranda se parecia mesmo com uma rumbeira e a Aquarela do Brasil de Ary Barroso era tocada em ritmos caribenhos – não se conhecia devidamente a batida do samba. Bastou Tom Jobim dizer que o Corcovado abria os braços sobre a Guanabara e a confusão se acabou. Tom e Vinícius fizeram Sinatra cantar a Garota de Ipanema e um monte de gente – nos Estados Unidos e alhures – internacionalizou Águas de março.

Hoje, o som internacional – que toca nas boates e nos bailes da vida – traz a influência brasileira. É tudo som universal, estamos inseridos no contexto musical do mundo. Acabou-se o purismo. E ninguém rebola como nós brasileiros.

E como é bom
pra se dançar.
Descontrair nos carnavais.
Pular nos blocos e salões.
E nos pagodes tão legais.

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Praticamente tudo o que ouvimos e dançamos por aqui vem da senzala, como dizem Martinho e João Bosco neste samba. É a cultura negra a grande responsável por nossa musicalidade... e se não fossem os negros talvez até hoje estivéssemos a dançar o vira.

No Espírito Santo, a influência negra se misturou, como de resto em todo o país, mas até hoje se mantêm as raízes do congo e do ticumbi, duas facetas particulares da influência negra. Em diversas regiões do litoral, em dezembro, podem-se ver grupos dançando e celebrando o ticumbi. E, em janeiro, o congo, ancestral do samba de roda – aquele que as baianas dançam nos desfiles de escolas de samba, e que é bem diferente do samba no pé dos passistas. "O congo é que é o legítimo rebolado capixaba, no qual as pessoas dançam mexendo apenas as cadeiras e as pernas", conta Rogério Medeiros, que fotografou e registrou praticamente tudo que existe do folclore deste estado.

Me faz sorrir, me faz chorar.
Me faz sofrer, me faz vibrar.
Sem ele, eu sei, não viverei:
É como o amor, é como o ar.

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