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Fevereiro/2001 nº12


O Desperdício nosso
de cada dia

Todo dia é jogado no lixo, em terrenos a céu aberto, um volume enorme de rejeitos prejudiciais à saúde e nocivo à economia. Não há cuidados por parte das autoridades para orientar as populações prejudicadas. E só alguns poucos felizardos vêm tirando proveito
financeiro desse nosso desperdício diário
Petróleo no
Espírito Santo

Rossini Amaral e Fernanda Couzemenco mostram como duas localidades vivem a expectativa do petróleo: Anchieta e Regência
Capixabas de Sucesso
Restaurantes São Pedro e Pirão, o eixo da moqueca: há quase meio século seus donos mantêm elevado o padrão da culinária capixaba
Traços de União
Tudo começou na senzala: de um canto sofrido, nasceu a tradição da dança que acompanha nossas gerações. Do jongo ao forró, do techno à dança de salão, as quentes noites capixabas ganham sensualiade nas boates, nos salões e nas praias
Capixabas em Rondônia
Com ousadia e muita disposição para o trabalho, capixabas escrevem uma saga de conquistas na região Norte do país
Esporte por esporte
A família Grijó mantém a legenda que consagrou alguns de seus membros nas quadras de basquete





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  de história e folclore - Renato Pacheco

Jandira e Breno, poetas populares

Foi o sempre lembrado Miguel Depes Tallon o primeiro, entre nós, que se interessou em divulgar nossos poetas populares. Divulgou, em caderno de etnografia e folclore, um estudo sobre Lauro Santos, um contador de história, reportando-se ao servente do Colégio Estadual Ceciliano Abel de Almeida, em São Mateus, que com seu violão encantava as classes populares locais.

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Recentemente o poeta Humberto Del Maestro me enviou um folheto intitulado Prosas de Jandira Ferreira dos Santos, que na verdade contém a poesia popular da autoria.. Jandira nasceu no município de Vila Velha, na localidade de Cobi, em l0 de janeiro de l9l4. Casou-se em l927, aos 13 anos, com Joaquim Antunes de Bicalho, com o qual teve três filhos. Tanto o marido quanto os filhos morreram antes dela, e assim, face a sua idade, os vizinhos a levaram para o Asilo dos Velhos, onde se encontra desde1996. As tais prosas poéticas que ela inventou vêm de sua mocidade, quando muitos assistentes se sentavam em torno dela para ouvir sua criação. Mesmo agora ela ainda continua a produzir seus poemas em prosa.. Alguns exemplos: "Se eu tivesse a minha mãe, como todos têm a sua, não andava tão esquecida, como os ciscos na rua. Outra: "Lá em cima daquele morro corre água sem chover. São as lágrimas dos meus olhos, que não podem mais te ver". Ou ainda: "Oh, que caminho tão longo, pé descalço areia quente. Onde está aquele ingrato, fazendo saudade à gente". Neste ingênuo lirismo popular temos uma autêntica poetisa que merece o estudo dos doutos.

Já Breno Vieira , natural de Cachoeiro De Itapemirim, era operário da Prefeitura Municipal de Vitória, no setor de podas de árvores. Aproximadamente em l973, segundo me informa Miguel Tallon, ele estava podando árvores em frente à Churrascaria Guasca, caiu e veio a falecer. Um exemplo de poema de Breno Vieira: "O sonho. Na hora em que as cortinas se fecham lentamente, a noite vem descendo, silenciosamente. E sonho. Por mil mundos passeio satisfeito. E ainda ontem tive um sonho em que entrei numa cidade. E que cidade linda, pena não ser verdade. As ruas eram todas de pão-de-ló calçadas. De rapadura as casas, os muros de queijadas. A Catedral enorme era de goiabada, com sino e duas torres, todos de marmelada. A biblioteca tinha só livros de beiju, borgonha e malvazia, champanhe e sagu. Um chafariz inglês na Praça vertia mel. (...) E eu comendo sempre, comendo sem parar. Quando a mamãe veio de súbito me acordar. Vocês façam idéia como fiquei zangado, tinha um pudim de creme apenas principiado".

Esta a criatividade que, como a do catador de papel Wilson, cujo livrinho foi apoiado pelo desembargador Hélio Gualberto, que devemos incentivar, pois é maneira de o povo se expressar, esquecendo suas mágoas.

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